O ator Murilo Rosa, único da minissérie presente no musical, fará novo papel.

Como foi receber o convite para o musical?

Foi uma surpresa: o convite foi inusitado, corajoso. Eu planejava fazer meu novo espetáculo, Entusiasmo, em turnê no ano que vem, mas ao descobrir detalhes, fiquei empolgado. É uma ótima ideia, com dramaturgia relevante e um personagem histórico que adoro, além de exercitar o canto. Fiquei feliz com a ousadia e coragem.

Você já tem uma conexão com os musicais. Como é poder reviver essa história, mas agora de uma forma diferente?

Adoro musicais, mas, antes disso, gosto da dramaturgia, do personagem. Bento Gonçalves é uma grande figura histórica. Tenho ligações com personagens do Sul, rodei por 40 dias por aquela região. Na minissérie, fiz o coronel Corte Real, que tem uma morte antológica. Agora é diferente, é outro personagem: Bento deve ser o personagem mais simbólico do Rio Grande do Sul. Agora, nesse musical, a dramaturgia vem poderosa.

Quais principais memórias têm da época da minissérie e de que forma acredita que essa experiência pode ajudá-lo nos palcos?

A gente rodou pelo sul por 40 dias, me encantei por aquela terra. Entendi porque o gaúcho é apaixonado pelo Sul. Fizemos trabalho intenso com cavalos, de lutas, cenas complexas, perigosas, como as de guerra. Foi uma aventura. Os pampas com cerração. Não consigo esquecer o primeiro dia em coloquei o figurino do Corte Real. Passei o dia inteiro com ele, até dormi assim. Houve um momento em que uma pessoa desapareceu, o que me deu a sensação de estar vivendo algo real. No musical, farei o Bento, mas, como filho de uma historiadora, estudo tudo o que rodeia aquela história.

A adaptação da obra para a TV foi uma superprodução e os musicais hoje também são conhecidos por sua grandiosidade. Quais suas expectativas para este novo formato?

Tenho grande expectativas. Essa é uma oportunidade de apresentar uma grande novidade no teatro musical brasileiro. A minissérie foi uma superprodução, mas, agora, as músicas existem em função de uma dramaturgia que é forte. O diretor Ulysses Cruz deverá buscar a alma, a essência desses personagens e as canções deverão entrar nessa história. O grande caminho é mergulhar e priorizar a dramaturgia.

Já se passaram 15 anos desde o lançamento da série. Já iniciou algum mergulho de resgate da obra como 'preparação' para o que virá?

15 anos! Acho que é por isso que farei agora o Bento... Ainda não começamos a preparação. Tenho outro filme no Sul pra fazer e depois vou cuidar da Casa.

Quais os maiores desafios que prevê enfrentar no projeto?

Acho que é colocar a intensidade adequada - às vezes, em algum musical, as canções são lindas mas falta algo na dramaturgia. Assim, é deixar na interpretação uma marca forte e, quando for para a canção, continuar forte. Ser uma unidade, com equilíbrio, sem perder a explosão de encenação.