A última vez que O Rappa passou pela Região Metropolitana de Belo Horizonte foi conturbada. Atração do “Circuito Cultural Banco do Brasil”, em novembro passado, a banda ficou presa no engarrafamento provocado por uma manifestação na MG-020. O tecladista Marcelo Lobato e o baixista Lauro Farias chegaram a descer do carro em que estavam e andar 6 km até o palco principal, montado no Mega Space. “As pessoas nos paravam para conversar, mas não podíamos dar atenção”, lembra Lobato, sobre o show que teve de ser encurtado para meia hora de duração.

Felizmente, os fãs terão agora outra oportunidade de conferir o novo show da banda, baseado em seu último disco, “Nunca Tem Fim...”. A apresentação acontece neste sábado (10), no Expominas, dentro do projeto “#ClaroExperiências”.

“Logo que lançamos o disco, ficamos surpresos. Vimos que muita gente já sabia as letras. Acredito que isso aconteça porque O Rappa é uma banda que tenta não se repetir, buscamos sempre outros tipos de som”, afirma Lobato.

Lançado cinco anos após o antecessor “7 Vezes”, o álbum “Nunca Tem Fim...” foi construído numa dinâmica diferente. A banda buscou ser mais objetiva, registrando as composições no calor da criação. A produção de Tom Saboia foi importante para que essa nova estruturação pudesse fluir.

“A gente procurou uma coisa mais concisa, direta, gravando as músicas com poucos takes. Ficar muito tempo no estúdio é cansativo e foi bom gravar as músicas em seus momentos de frescor”, explica o tecladista.

Esse processo contribuiu para a sonoridade, que é mais orgânica em relação ao que vinha sendo feito desde “Rappa Mundi”, de 1996. Se antes a banda apostava em loopings, colagens e interferências de DJ, agora focou na instrumentação. “É um disco que remete mais ao primeiro trabalho (‘O Rappa’, que acaba de completar 20 anos). A gente queria algo mais visceral”.
Renovados

Um longo período de férias anterior ao estúdio foi imprescindível para a criação de “Nunca Tem Fim...”. Muitas vezes, as gravações dos álbuns eram desgastantes e se desenrolavam por meses, intercalando estúdio com turnês.

Dessa vez, cada um fez suas criações em casa durante o descanso e levou para o grupo para um aprimoramento coletivo. Diferentemente do que acontecia nos anos 90 – quando as letras eram escritas por Marcelo Yuka –, hoje todos os integrantes participam como compositores.

“Todos vêm participando desde ‘O Silêncio Q Precede o Esporro’ (2003). O Falcão trouxe muita coisa para o estúdio no último disco. O descanso foi importante para ouvirmos novos sons, tocarmos com outras pessoas, levarmos para a banda novas referências”, explica Lobato.

O Rappa no Expominas (Gameleira). Neste sábado (10), às 22h. Pista: R$ 120 e R$ 60 (meia). Pista premium: a partir de R$ 140.