As melhores obras de ficção científica no cinema são pessimistas e apocalípticas, apresentando um mundo tragado pela ambição desmedida, pela autodestruição e pelo predomínio da tecnologia sobre o humano, usada com fins maléficos.

Estrelado por Tom Cruise, “Oblivion” pode não estar no mesmo patamar qualitativo de “2001 – Uma Odisseia no Espaço” (1968), “Blade Runner – Caçador de Androides” (1982) ou “Matrix” (1999), mas dá sua contribuição ao tema.

A mais notável é a crítica a um suposto conforto ofertado pelo progresso tecnológico. As máquinas se encarregam de tudo, não restando aos humanos mais do que apertar botões. Aquilo que deveria nos propiciar mais tempo ao prazer transforma a nossa vida em rotina.

Solidão

Essa é a sensação de Jack Harper (Cruise), um agente de segurança que, junto à sua colega e mulher Victoria (Andrea Riseborough), é responsável por tomar conta de uma Terra destruída após batalha encardida com invasores alienígenas.

A população que sobreviveu aos ataques e ao esfacelamento da Lua migrou para um dos satélites de Júpiter. O casal permanece numa base para proteger as instalações que criam fissão nuclear (a partir da água dos mares) dos extraterrestres que permaneceram.

Acossado por sonhos de um tempo pré-apocalipse, Harper não está feliz. Ele guarda objetos antigos num pequeno paraíso que construiu secretamente. Victoria, ao contrário do companheiro, não gosta de nada que fuja ao programa estabelecido por seus superiores.

Semelhanças

Avançar mais na história é estragar as muitas surpresas reservadas para a sua segunda metade e que nos remetem imediatamente às principais produções do gênero. Mas podemos falar do “olho” vermelho de um droide que encampa o mesmo elemento aterrorizador de HAL-9000 em “2001”.

O protagonista carrega o mesmo lado saudosista do passado de Wall-E na animação homônima lançada pela Pixar. As relações mais fortes são, no entanto, com o angustiado detetive Rick Deckard de “Blade Runner” e com o operário Douglas Quaid de “O Vingador do Futuro”, em torno de suas origens dúbias.

Apesar destas referências claras, o diretor Joseph Kosinski, autor da história original (primeiramente levada para uma graphic novel), obtém um resultado superior a “Tron: O Legado” (2010), seu filme anterior, na forma como retrata a ilusão de um sociedade cada vez mais antropofóbica.