O que a carioca Beatriz Milhazes e o britânico Damien Hirst têm em comum? Juntos, os artistas visuais estão no topo da arte mundial contemporânea. Ela, apontada como a brasileira viva mais bem sucedida da atualidade, teve a tela “Meu Limão” arrematada por US$ 2,1 milhões; ele, o artista em atividade mais bem cotado do planeta, viu a obra “Pelo amor de Deus” – um crânio humano com mais de 8 mil diamantes incrustados – ser vendido por US$ 100 milhões.

Se você ficou ao menos com uma pontinha de curiosidade para ver de perto o trabalho desses dois – e de outros nomes consagrados das artes visuais –, anote na agenda: até 1º de março Belo Horizonte recebe a mostra “Afetividades Eletivas”.

Além dos já citados, a exposição reúne obras de Leonilson, Rosângela Rennó, Álvaro Apocalypse, Amilcar de Castro, Fernando Lucchesi, León Ferrari, Liliane Dardot, Marepe, Oswaldo Goeldi, Paulo Bruscky, Selma Grossman e Shirley Paes Leme, dentre outros. São quase 150 trabalhos – todos pertencentes ao acervo do mineiro Luiz Sérgio Arantes.

Obras de ‘medalhões’ da arte visual contemporânea reunidas em BH

METAMORFOSE

A mostra também é uma chance e tanto para o público belo-horizontino atentar-se aos desdobramentos que a gravura vem sofrendo nos últimos anos. Antes, a entendíamos apenas pelos suportes tradicionais – ligados à matriz, como madeira, metal, pedra. Hoje, ela é explorada pelos artistas muito mais pelo fato de ser reprodutível e, nesse sentido, engloba a fotografia, o vídeo e até o carimbo.

“A coleção de Luiz Sérgio Arantes traz desde mestres da gravura, como Oswaldo Goeldi e Amilcar de Castro, até artistas com poéticas muito diferentes, mas que ampliam a discussão sobre o que é a gravura contemporânea, como Carlito Carvalhosa e Marco Paulo Rolla”, destaca Margarida Sant’Anna, nome à frente da curadoria de “Afetividades”.

Esta é a primeira vez, segundo ela, em que o acervo é aberto ao público. “A exposição foi pensada especialmente para a galeria do Minas Tênis Clube, onde busquei salientar certos agrupamentos e associações propostos pelo próprio colecionador no ambiente doméstico”, diz.

VISÃO PRÓPRIA

Margarida explica que não partiu de uma ideia preconcebida ou de conceitos fortes sobre arte contemporânea, mas de nexos que Luiz Sérgio Arantes fez ao colocar um artista ao lado do outro.

“Muitas vezes, pelo fato de o colecionador conviver todo dia com aquelas obras, ele tem uma compreensão que nos escapa. E fui atrás da sabedoria oculta naquela organização que parece não ter uma lógica”, completa.

A curadora diz que a forma de criação dos acervos dos museus é bem diferente da posta em prática por quem tem uma coleção particular. A instituição é responsável por conservar, estudar e difundir o patrimônio cultural e artístico. Já o colecionador não tem esse compromisso.

“Ele compra aquilo de que gosta, e aí está toda a riqueza de se estudar uma coleção particular. Ao mesmo tempo em que o acervo está relacionado à visão do colecionador sobre a arte de seu tempo ou de um determinado período, ela também está ligada a certas circunstâncias externas, como o mercado de arte e as questões do gosto de uma época”.

“Afetividades Eletivas” na Galeria de Arte do Centro Cultural Minas Tênis Clube (rua da Bahia, 2.244, Lourdes). Terça a sábado, das 10 às 20h. Domingo e feriado, das 11 às 19h. Até 1/3. Entrada franca.