Não se trata apenas de ouvir um trecho de uma música, assistir a uma cena de um filme ou constatar a união entre as duas artes. Se trata da emoção criada naquele exato instante, instalada no âmago do espectador e aflorada por meio das mais distintas sensações. Ou, como enfatiza Mafalda Minnozzi, “aquele instante fica cristalizado, e a emoção, para o resto da vida”.

“Eu sentia o impacto de ver uma cena que era acompanhada por uma música cantada, como (a música) “Parlami d'amore Mariù”, do filme “Gli uomini, che mascalzoni!”, de Vittorio de Sica. Eu pensava: ‘Uau’. Fico muito feliz de também ter minhas músicas em trilhas. Em ‘Terra Nostra’ (novela da Globo), em cenas que mostravam uma atriz e (enfatizavam) uma paixão muito forte, surgia minha voz”, completa a cantora italiana, sobre “os dois lados da moeda”.

Novas sensações estão previstas para esta quinta-feira, a partir das 19h. A convite do Consulado da Itália em Belo Horizonte, a cantora vai prestar uma homenagem a gênios do cinema italiano, por meio de músicas oriundas de trilhas que influenciaram gerações em todo o mundo. Obras de artistas como Ennio Morricone (1928-2020) e Nino Rota (1911-1979), entre outros, estão no repertório da live, a ser transmitida pelo canal da artista no YouTube.

“Eu respondi ao convite com uma proposta cultural que abrace a música de artistas como Ennio Morricone, Nino Rota, Luiz Bacalov, Pino Daniele... E que, ao mesmo tempo, abrace o universo do cinema, que saiu da Itália e entrou nas salas do mundo inteiro”, relata a cantora italiana, com carreira consolidada na Europa, nos Estados Unidos e no Brasil, onde resolveu passar a pandemia.

Mafalda

Ela, o pianista brasileiro Tiago Costa e o guitarrista americano Paul Ricci farão releituras de músicas do quilate de “Maturity”, de autoria de Morricone e que faz parte do filme “Cinema Paradiso”, de Giuseppe Tornatore, e “Parla Più Piano”, assinada por Nino Rota e presente em “O Poderoso Chefão”, de Francis Ford Coppola.

Outra icônica obra de Rota a receber um tributo do trio é “La Dolce Vita”, eternizada no filme de mesmo nome (no Brasil, “A Doce Vida”), de Federico Fellini. Este tema servirá também como uma celebração aos cem anos do nascimento deste diretor italiano, responsável por outros indefectíveis trabalhos, como “8 ½”, “Noites de Cabiria” e “Amarcord”.

Humildade

A cantora, no entanto, ressalta um ponto importante com relação à divulgação da cultura italiana feita pelos consulados. “A música é muito subestimada de uma forma geral (referindo-se não apenas à italiana). Não é direcionado o dinheiro certo para se produzir música e cultura. Teremos apenas três pessoas para representar obras tão grandiosas, que foram feitas com muitos recursos nas ocasiões em que foram criadas. Faremos com muita responsabilidade, mas também com muita humildade”, declara.

Mafalda

Próximos trabalhos

Sempre ávida a projetos em várias frentes, Mafalda já visa novas empreitadas. “Em outubro, vou entrar em estúdio para um novo disco. Mas eu não vou te falar nada ainda (risos)”, afirmou ela, que, em 2021, vai celebrar 25 anos desde que se deslocou da Itália para fixar residência também no Brasil: “Faremos um evento popular, não elitizado. É algo para todo mundo”.

Enquanto isso, ela “cruza os dedos” (N.R.: durante a entrevista, via zoom, ela literalmente cruzou os dedos) para conseguir fazer uma turnê de divulgação de seu mais recente álbum, "Sensorial: Portraits In Bossa & Jazz", lançado em 20 de julho e que apresenta releituras de músicas de artistas como Tom Jobim, Chico Buarque e Vinicius de Moraes.

“Um belo disco que sei que fiz, é lindo de morrer”, ressalta, antes de decretar: “Tenho dois corações: um italiano e um brasileiro”.