Com “Operação Sombra”, já disponível nas locadoras, o agente da CIA Jack Ryan – cria do escritor norte-americano Tom Clancy – se torna mais um herói dos filmes de ação a ganhar rosto jovem para cativar plateias adolescentes.

São os chamados reboots, que reiniciam a saga de seus protagonistas a partir de uma perspectiva de quem tem que ir para o mundo para mostrar a sua capacidade, driblando a falta de experiência com muito voluntarismo.

O próprio Chris Pine, que interpreta o renovado Ryan, participou de outro recomeço em “Star Trek”, na pele do capitão Kirk. A diferença, em “Operação Sombra”, é que o roteiro perde contato com a essência do personagem.

Genérico

Embora recoloque o agente numa versão atualizada da Guerra Fria, cenário principal de suas aventuras na literatura e no cinema, o filme é um genérico que se sustenta por algumas boas cenas de ação.

O principal obstáculo está no fato de Ryan ser um mero “soldado” para livrar os Estados Unidos de um novo ataque terrorista. Só sabemos que ele entrou para as forças armadas por causa do 11 de Setembro de 2001.

Mesmo quando se aborda a relação do agente com a noiva Cathy (Keira Knightley), que passa a participar das investigações involuntariamente, a subtrama não é satisfatória, servindo para o filme ganhar mais um clichê: a mocinha em perigo.

E o vilão de Kenneth Branagh (também diretor) parece ter saído das antigas aventuras de 007 – caricaturalmente louco, de um nacionalismo ultrapassado e com forçados defeitos (veneração por mulheres casadas) para Ryan sair em vantagem.

Sem empatia

Enquanto Branagh tenta incutir seriedade a um personagem tão frouxo, Keira se dedica a reproduzir as suas conhecidas caretas de donzela apaixonada. O problema de Kevin Costner, como o mentor de Ryan, é outro: não tem qualquer empatia.
Para um personagem que, nos livros e no filme “Caçada ao Outubro Vermelho”, se mostrava mais cerebral, com as suas cenas de ação baseando-se principalmente na extensão do suspense, essas mudanças afetam muito a estrutura dramática.

Ryan surge não só mais novo como também “desidratado”, muito dependente das sequências mais movimentadas para preencher os seus vazios de construção. No final das contas, após alguns sustos, ele sai da mesma forma que entrou.