Grande parte do público que acorrer ao Grande Teatro do Palácio das Artes, nesta terça (26) e quarta-feira (27), provavelmente se norteia pela oportunidade de assistir ao mais famoso pianista brasileiro da atualidade, o mineiro Nelson Freire, interpretando uma peça de seu compositor favorito, Chopin: no caso, o “Concerto para Piano nº 2 em Fá Menor”.

Mas o concerto também será uma chance de a plateia se abrir ao novo, já que conta com a première de “Identidades”, composição feita para a Filarmônica de Minas Gerais pelo mineiro Leonardo Margutti, vencedor do concurso “Tinta Fresca 2013”, com a obra ‘Em Sete” – apresentada ano passado pela orquestra.

“É uma oportunidade de criar uma ponte. Há quem espere apenas ouvir Chopin, mas poderá conhecer a música e gostar dela. E o meu trabalho dialoga com a música tradicional”, afirma Margutti, 36 anos, que acaba de voltar de um doutorado em Londres.

O jovem dedicou cerca de nove meses à criação de “Identidades”, uma peça com ambientações que remetem às diferentes influências musicais de Margutti – choro, samba, rock, Heitor Villa-Lobos etc. “É como se a composição buscasse sua identidade do início ao fim”, diz o compositor, reforçando que ter duas peças executadas pela Filarmônica é uma raríssima oportunidade. “É um verdadeiro privilégio compor para essa orquestra de nível internacional”.

Segundo o maestro Fabio Mechetti, unir um jovem compositor e um experiente convidado na mesma noite é uma estratégia usual da Filarmônica. “Quando temos um solista famoso, como Nelson Freire ou Arnaldo Cohen, sempre gosto de colocar algo no concerto que talvez as pessoas não dessem tanta importância. Aproveitamos a audiência cativa e apresentamos algo diferente”.

Para Mechetti, os concertos dessa semana abalizam a qualidade dos artistas mineiros. “É uma celebração da música em Minas, ao unir alguém que está começando, como Leonardo Margutti, a um pianista admirado em todo o mundo”.

A escolha para o solo de Freire foi feita em comum acordo com o pianista. A peça “Concerto para Piano nº 2 em Fá Menor” é um marco na carreira do polonês Frédéric Chopin (1810-1849). “Ele escreveu a peça para ser apresentada em Varsóvia, após muitos anos de trabalho em Paris. Se diferencia por ter vários elementos folclóricos de seu país”, explica Mechetti, que ainda rege a última sinfonia (15 em Lá maior, op. 141) escrita por Shostakovich (1906-1975).

Orquestra Filarmônica de Minas Gerais no Grande Teatro do Palácio das Artes (av. Afonso Pena, 1537). Nesta terça e quarta, às 20h30. Ingressos esgotados