Foi em 1978, quando saiu do país pela primeira vez, que o maestro Fábio Mechetti teve seu primeiro contato com Leonard Bernstein (1918 – 1990), nos Estados Unidos. “Eu ainda era jovenzinho e ele era como um deus para mim”, recorda. Agora, 40 anos depois, no papel de diretor artístico regente titular da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, o antigo aluno presta homenagem a seu mestre e ídolo com uma série de concertos que tem início amanhã, na Sala Minas Gerais. 

A celebração, que comemora o centenário do compositor norte-americano, integra o calendário “Bernstein at 100”, que reúne mais de 100 orquestras ao redor do mundo para reverenciar as produções deixadas por ele. “Decidimos fazer um pequeno festival com oito obras, mostrando a diversidade que ele tinha, tanto de escrever para concertos, filmes, teatros e para a Broadway”, explica Mechetti. 

Para além da pluralidade, o maestro destaca outras contribuições do compositor. “Praticamente todo o repertório sinfônico de Bernstein foi importante. Ele teve uma conexão muito forte com a Filarmônica de Nova York. Ele fez com que a música clássica tivesse uma penetração enorme nos Estados Unidos”, sublinha. 

A relevância das obras de Bernstein, porém, extrapola o território norte-americano. Isso fica evidente, inclusive, nas obras que dão abertura a série: “Árias e Barcarolas” e “Trouble In Tahiti”. “As peças mostram a questão do relacionamento de um casal, das dificuldades que existem. São temas mundanos e reflexões sobre valores da humanidade”, salienta o maestro. 

Ele destaca ainda a universalidade e atemporalidade das produções. “Seja em 1950, seja agora quase em 2019, as pessoas continuam tendo essas questões individuais, independente da sociedade onde vivem. Esse é o papel da arte, cultivar o valor e a reflexão independente do tempo”, conclui. 

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FESTIVAL – Ao longo de três semanas a Filarmônica apresentará oito obras do compositor

Convivência

Aluno do compositor, quando estudou na prestigiosa Juilliard School em Nova Iorque, o maestro destaca a simplicidade de Bernstein.“Ele era uma pessoa muito aberta a jovens regentes e compositores. Era muito interessado na carreira deles. Ao mesmo tempo, era muito consciente do carisma que ele tinha como pessoa. Sempre rodeado de celebridades e ele mesmo era uma celebridade”, 

Mechetti, que atribui crédito em seu amadurecimento como regente ao gênio, recorda aquele que considera o maior ensinamento dado pelo mestre. “Ele deixou um conceito muito importante: o de que todo intérprete tem que penetrar o máximo possível na obra que vai apresentar. Ao executá-la, devemos nos sentir como o próprio compositor, como se aquilo estivesse brotando de você. Como se o compositor estivesse presente”, elucida.