O Grande Teatro do Palácio das Artes é, para artistas, produtores e espectadores, a casa da música em Belo Horizonte. A retomada dos shows no espaço é vista com um sentimento de alívio pelo setor, que teve que cancelar vários espetáculos importantes devido a pandemia.

A Orquestra Mineira do Rock entra para a história como a primeira atração pós-pandemia. A apresentação acontece neste sábado, às 21h. O público não estará presente de forma plena, devido aos protocolos exigidos pela Prefeitura Municipal. O que não deverá diminuir a emoção.

“É hora de matar a saudade e tirar as teias. A orquestra, que já é uma aglomeração em si, está há quase dois anos sem se reunir. Nem live fizemos”, registra Guilherme Castro, um dos 13 integrantes do grupo, oriundos de três bandas de rock autoral de BH – Cálix, Cartoon e Somba.

A ideia inicial era apenas fazer um show online, com um pedacinho de cada um dos shows da orquestra, dedicados a Beatles, clássicos do rock e música brasileira. Mas acabou ganhando o formato presencial, virando símbolo do esperado fim da reclusão compulsória dos artistas.

“A reabertura do Palácio é muito emblemática. O convite partiu deles, após considerarem que o nosso show foi muito bem-sucedido. Para nós, tem uma simbologia a mais, depois de sermos o setor mais impactado pela pandemia”, ressalta Castro.

Para o músico, a paralisação gerada pela crise sanitária teve o mesmo efeito da bomba de Hiroshima. “A sensação é de estar reconstruindo uma cidade após a explosão de uma bomba. Claro que estou falando metaforicamente, mas todos tiveram que se virar de alguma maneira”.

No início de 2020, a Orquestra Mineira do Rock estava com as baterias recarregadas e cheio de planos. “A gente tinha acabado de apresentar o nosso terceiro show, chamado ‘Brasil’, e só conseguimos fazer os dois shows da estreia”, lembra.

Para Castro, o momento é de reconstrução. “O show no Palácio também tem essa simbologia: significa a reconstrução não só da OMR, mas também da cadeia produtiva  da música e do setor de eventos. Não dá para se contentar apenas com lives. Não dá para ficar esperando”, avalia.

O grupo promete compensar o tempo parado com muita animação. Dividido em três blocos de 30 minutos cada, o espetáculo trará uma amostra dos três projetos já feitos. A atenção para o quase inédito “Brasil”, que terá, no repertório,  releituras de clássicos da música brasileira, como Chico Buarque, Gilberto Gil e Clube da Esquina.

SERVIÇO
Orquestra Mineira do Rock – Sábado, às 21h, no Grande Teatro do Palácio das Artes (Avenida Afonso Pena, 1537). Ingressos: Plateia I –R$ 120 (R$ 60, meia); Plateia II – R$ 100 (R$ 50, meia); Balcão – R$ 80 (R$ 40, meia). Vendas na bilheteria do teatro e no site da Eventim

Redução de assentos inviabiliza vinda de grandes espetáculos de fora do Estado

A agenda de shows no Grande Teatro prossegue no próximo final de semana, com dois shows do grupo mineiro 14 Bis, que comemorará quatro décadas de estradas com um show acústico reunindo hits já conhecidos e misturando o rock com o Clube da Esquina, a música clássica com o progressivo e o country norte-americano com o regional brasileiro.

Apesar desta retomada, o momento ainda é de muita cautela. Até porque, como destaca Eliane Parreiras, presidente da Fundação Clóvis Salgado, o espaço do Palácio das Artes tem uma característica única na cidade que, durante a pandemia, acaba servindo também como obstáculo ao preenchimento de uma agenda tal como era antes da pandemia.

“A gente estava ansioso em poder retomar as atividades no Grande Teatro. Mas ele  tem essa característica de, por ser muito grande, com 1.700 lugares, só produções maiores dão conta desse espaço. Ele é muito generoso  com o público e o artista, mas ao mesmo tempo demanda produções que tenham um acabamento. Isso é um desafio neste momento em que ainda está havendo controle de volume de público”, observa.

Eliane destaca que hoje o Grande Teatro tem autorização do executivo municipal para retomar as atividades culturais com até 800 pessoas na plateia. “Essa lotação possibilita algumas produções, mas outras continuam inviabilizadas.  São espetáculos que só se viabilizam se tiver uma plateia superior a mil lugares”, lamenta.

O que o Palácio das Artes tem feito, de acordo com a presidente, é um trabalho de prospecção de programação adequado aos limites impostos pelos protocolos sanitários. “Eles precisam ter viabilidade financeira para essa capacidade de 800 lugares. Naturalmente a gente está bem satisfeito por estarmos recebendo produções mineiras. Eles são os donos desse palco”, afirma.

Os grandes espetáculos que estavam previstos para 2020 foram, em sua maioria, reprogramados, de acordo com Eliane. “É um replanejamento diário. A maior parte dos artistas optou por adiar. Alguns deles já foram reprogramados três vezes.  Os internacionais foram quase todos para 2022, devido ao fato de ter de se casar a turnê com todos espaços”, registra.