Hits do rock’ n’ roll em um formato bem diferente do tradicional: como música clássica. Essa é a proposta da Orquestra Opus no espetáculo “Rock In Concert”, que acontece na sexta-feira no Centro Cultural Minas Tênis Clube.

A orquestra mergulha na história do gênero, apresentando canções de artistas consagrados como Beatles, Elvis Presley, Eric Clapton, AC/DC, Guns n’ Roses e também de brasileiros como os Paralamas do Sucesso, Legião Urbana e Raul Seixas. 

“A gente faz uma leitura orquestral desses clássicos. Nos apresentamos com uma orquestra de cordas e uma flauta e temos também alguns instrumentos do rock como a guitarra, o baixo elétrico e uma bateria. Mas a maior parte das peças é somente orquestral”, explica o maestro Leandro Cunha. 

Apesar de tentar seguir um caminho cronológico para explorar a história do rock, o maestro diz que a intenção é provocar surpresa no público, criando momentos específicos com as canções. 

“A gente segue pelo clima que o espetáculo oferece. Para nós, é mais importante ter uma linha de condução que deixe o espectador surpreso, com momentos de tensão, de explosão e de calma”, diz Cunha. 

Embora a música clássica e o rock possam parecer, em princípio, distantes, o maestro destaca que os estilos sempre conversaram.
“Os grandes artistas do rock sempre beberam muito na fonte da música erudita, principalmente os guitarristas, por causa do improviso. Muitas bandas como o Metallica e o Scorpions também já fizeram DVDs e turnês com orquestras”, destaca.

Para Cunha, a mistura funciona bem. “Isso ajuda a levar o público da música erudita para o rock e também a levar o público do rock para assistir a um concerto, algo que talvez eles não fizessem de maneira espontânea”, acredita.

Democratização
Apesar de mirar os fãs do rock’ n’ roll no espetáculo que apresenta na sexta-feira, a proposta da Orquestra Opus não foca somente em um gênero musical. Criada em 2006, a Opus surgiu com o objetivo de desmistificar a música erudita e aproximá-la do público geral.

“Existe um medo que a música clássica traz, uma seriedade que às vezes afasta o público. Então, a música popular acaba tendo a facilidade de aproximar as pessoas, porque são canções que elas conhecem”, pontua o maestro. 

Embora o cenário não seja mais o mesmo, Cunha lembra que as pessoas que costumavam frequentar concertos eram sempre as mesmas. Foi justamente para tentar modificar isso que a orquestra passou a apostar no encontro entre a música popular e a clássica, trabalhando também com nomes como Milton Nascimento, Sandra de Sá e Nando Reis. “Essa mistura de gêneros acabou virando uma marca nossa”, afirma.