Nem é preciso entrar no mundo adulto para saber que ninguém consegue agradar todo mundo o tempo todo. Por isso, nada mais previsível que, no curso da vida, a gente receba uma série de críticas. Mas você já pensou que, se for seguir tudo o que falam, pode terminar entrando numa fria? Foi o que aconteceu com Tenório, o personagem central do recém-lançado livro “Tenório – Um Artista Iniciante”, do chileno Gonzalo Cárcamo (que assina texto e ilustrações), belíssimo lançamento da editora Berlendis & Vertecchia.

Certo dia, Tenório cismou que queria ser artista. E fez o que era certo para seguir seu sonho: comprou cavalete, pincéis, tintas e uma tela branca, e lá se foi para a praça, tentar reproduzir, com seu estilo, o que se descortinava à sua frente. Mas foi aí que a coisa começou a complicar! É que cada curioso que chegava queria dar o seu palpite. Inseguro, Tenório ia acatando um a um. Resultado: seu estilo foi abafado pelas orientações dos outros, o que fez com que o resultado não tivesse, digamos assim, uma “personalidade”.

Ao expor as telas, Tenório fica arrasado com os comentários dos mesmos transeuntes que, tempos atrás, ele julgou que queriam ajudá-lo: agora, eles reivindicavam parte dos méritos das obras.

E é quando o nosso herói percebe que, muitas vezes, é melhor se deixar levar pelas nossas escolhas – mesmo que muitos as critiquem! Afinal, reza o ditado: “água e conselho só se dá a quem pede”.

Ah, sim! A mesma editora está lançando também, do mesmo autor, “Modelo Vivo, Natureza Morta”, outra bela opção para se presentear no Natal. Aqui, não há texto. Só imagens. Aliás, belíssimas – Cárcamo é um artista e tanto.