Um sotaque espanhol, no palco do Dolby Theater, em Los Angeles, durante o ponto máximo da cerimônia, será a senha para uma nova era na nonagenária história do Oscar, a maior premiação da indústria do cinema.
 
Mais do que chamar a atenção para uma produção falada em espanhol e mixteco, de origem mexicana, uma vitória de “Roma”, na noite deste domingo, consagraria a entrada do <CF36>streaming</CF> entre os antigos barões do cinema.
 
Antes da Netflix e de outras empresas de compartilhamento de filmes, os protagonistas sempre foram os mesmos, a partir de distribuidoras situadas na Califórnia, nos EUA, com a região de Hollywood como ícone deste cinema.
 
Com o passar dos anos, várias delas ganharam novos donos, inclusive de capital estrangeiro, mas o modelo de negócio jamais foi alterado. É este temor pela mudança que pode dar o Oscar principal a “Green Book – O Guia”.
 
O filme de Peter Farrelly venceu o prêmio do Sindicato dos Produtores dos Estados Unidos, tornando-se uma espécie de salvaguarda do formato clássico. Curiosamente, o filme faz uma leve defesa aos valores mais tradicionais. 
 
Muro
Assinado por um mexicano (Alfonso Cuarón, de “Gravidade”) e falado em espanhol – se confirmado o Oscar, será o primeiro a ganhar nesta língua –, “Roma” atrai holofotes num momento delicado de política exterior.
 
Nos EUA, o tema que mais se discute atualmente é a construção de um muro na fronteira com o México. A invasão “chicana” já se desenhava nas últimas edições do Oscar, mas agora chega com a força de uma revolução no setor.
 
É essa globalização que o cinema americano sempre viu com rabo de olho, protegendo os seus interesses, que definirá o futuro do Oscar e da indústria de cinema. O triunfo de “Roma” seria o maior símbolo da capitulação ao streaming.
 
E, mesmo se não ganhar agora, novas tentativas serão feitas até que se consiga furar o bloqueio. Para 2020, por exemplo, está previsto outro páreo duro: “The Irishman”, de Martin Scorsese, produzido pela Netflix.
 
OSCAR