Os designers italianos do século XX ganham espaço em uma exposição inédita que ocupa três andares da Casa Fiat de Cultura até 3 de novembro. A mostra “Beleza em Movimento – Ícones do Design Italiano” foi aberta na última terça-feira (13) e reúne mais de cem peças como obras de arte, automóveis, objetos extravagantes do cotidiano e instalações multimídia.

O grande chamariz é a galeria que retrata cinco casas de design de automóveis que nasceram principalmente no início do século e se tornaram icônicas no setor: Bertone, Zagato, Touring Superleggera, Pininfarina e GFG Style. Essas carrozzerias desenvolveram modelos para marcas como Ferrari, Lamborghini, Alfa Romeo e Maserati, veículos cedidos por colecionadores e que devem encantar principalmente os amantes das quatro rodas durante os três meses de exposição. “Queremos mostrar os grandes maestros do design, não somente uma mostra de carros, mas onde nasce o design, como nasce e como se faz até hoje”, explica Peter Fassbender, responsável pela curadoria junto com a arquiteta e historiadora Maddalena D’Alfonso. 

A GFG Style, responsável pelos contornos do popular Fiat Uno de 1983, tem um representante curioso na exposição: o DeLorean DMC-12, carro que não durou sequer dez anos na linha de produção, mas tempo suficiente para ficar marcado na história do cinema como a máquina do tempo do filme “De Volta para o Futuro”. “Estamos unindo várias paixões que nós temos: design, italianidade, inovação, ousadia, arte, e, claro, carros lindos. É uma exposição que oferece coisas interessantes para todos os públicos”, garante o presidente da Casa Fiat de Cultura, Fernão Silveira.

Uma das salas multimídia embarca na temática e reproduz o ronco dos motores desses veículos, com projeções em três paredes de informações técnicas de cada carro, como torque e a velocidade máxima atingida.

Onde o design se aproxima da arte

O design italiano já nasce amparado pelo futurismo de uma estética que valoriza a velocidade e o movimento. A exposição contextualiza essa tendência desde as esculturas de Umberto Boccioni, que a partir de 1912 já simulava a presença de corpos no espaço e em constante movimento.
Há um espírito de provocação nas formas de objetos do dia a dia, como cadeiras, chaleiras, cabideiros e poltronas que fazem parte da exposição. É o caso de um assento de poliuretano em formato de grama, desenhado por Giorgio Ceretti, Pietro Derossi e Riccardo Rosso. Um utensílio que atiça a curiosidade do mais comedido dos visitantes, buscando entender como a forma extravagante garante algum conforto. Algo que infelizmente fica limitado à procura da palavra “Pratone” na internet.

Apesar de diferenciar design de arte, há uma aproximação entre as duas áreas na Itália, segundo Giselle Safar, professora da Escola de Design da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG). “Design e arte são fundamentalmente distintos. O artista faz porque precisa se comunicar, enquanto o designer faz para o uso do outro, mas os italianos têm essa capacidade de transitar de um outro lado sem perder a identidade”, determina. Ainda de acordo com Giselle Safar, esses traços configuram uma característica específica em contraste ao design desenvolvido em outros países. “O design italiano tem uma marca registrada, converge funcionalidade, que não é a ênfase, com tecnologia, que também não é o foco, com estilo. Esse sim é prioridade”.

Ela contextualiza essa preferência pelo estilo dentro do momento histórico vivido após a Segunda Guerra Mundial, quando os países derrotados tiveram que aperfeiçoar os produtos para superar a resistência que encontravam para exportação para o resto do mundo. 
“A Alemanha virou um arauto da funcionalidade e o Japão apostou em tecnologia”, enumera Giselle Safar. “A Itália tem uma tradição cultural e artística forte que influencia muito, consciente ou inconscientemente. Então tudo para eles tem uma composição estética, das vitrines nas ruas à culinária”.

Serviço

Exposição “Beleza em Movimento – Ícones do Design Italiano
Até 3 de novembro
Terça a sexta (10 às 21h)
Fim de semana e feriado (10 às 18h)
 Casa Fiat de Cultura
Praça da Liberdade, 10 – Funcionários
Entrada gratuita

 

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