A edição 2018 do Fórum Internacional de Dança (FID), evento que acontece há 23 anos em BH, ainda não acabou, mas já é possível fazer um balanço do evento, que segue até sexta-feira no Palácio das Artes, com foco na produção da América Latina.

Para Adriana Banana, artista, produtora cultural e idealizadora do FID, algo notável foi o aumento do interesse do público nas regiões periféricas da capital. “Há um desejo de conversar, refletir, valorizar. Eles querem os livros e catálogos. Já na a região Centro-Sul temos notado, há algum tempo, uma linha decrescente para esse tipo de fórum”, observa.

Ela credita a queda à alteração dos rumos curatoriais do evento. “Quando colocamos a chamada de um grupo francês, alemão ou dos Estados Unidos, por exemplo, temos lotação e procura maior. Quando são os latinos, que vêm sendo cada vez mais o foco do FID, há um pouco de descaso”, afirma.

Artista de rua

Dentre os destaques da edição, Adriana chama a atenção para a artista de rua Flaviane Lopes e adianta que ela passará a ser representada pelo FID. “Estamos fechando com festivais para que se apresente em outros lugares, inclusive fora do Brasil”, conta. 

Formada em projetos sociais, a produtora cultural explica que, apesar de jovem, Flaviane tem uma trajetória madura. “Ela é uma artista de rua que esteve no evento também para falar de questões urgentes, como a violência contra a mulher”, diz. 

Planos

Embora o evento ainda esteja na semana de encerramento, Adriana Banana destaca que há muito a adiantar sobre a atuação do FID no próximo ano. 

Calcado principalmente na internacionalização e na construção de redes entre artistas da América Latina, o projeto se coloca em diálogo com vários países, principalmente a Colômbia. 

“Estamos fazendo com o Endanzante (encontro de dança contemporânea e artística), de Medellin, uma parceria técnica, mandando pessoas para trabalharem lá e trazendo colombianos para trabalharem aqui”, detalha. 

A idealizadora do FID aponta, ainda, o trabalho de curadoria compartilhada, feito em parceria com o projeto colombiano. “Queremos expor o quanto é ampla a nossa produção e a nossa discussão, e o quanto ela nos é familiar enquanto identidade de povos”, explica. 

Outra novidade é a revista “Sulrreal”, outra parceria com os colombianos e que teve o projeto editorial lançado na programação do FID 2018. “Será uma revista bilíngue, abrangendo também as regiões caribenhas e a África”, ressalta a Adriana Banana. A ideia é abranger o Hemisfério Sul, fortalecendo a produção e o diálogo entre as regiões.

O FID acontece até sexta-feira, com espetáculos e fóruns no Palácio das Artes (av. Afonso Pena, 1537 – Centro). Os ingressos variam entre R$ 3 (meia) e R$ 20 (inteira). Veja a programação completa em fid.com.br.

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