No mês em que se celebra o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+, a Casa Fiat de Cultura dá destaque à diversidade no campo das artes com a palestra virtual “Um breve panorama da representação LGBTQIA+”, a ser ministrada por Lorenzo Merlino nesta quinta (24), às 19h.

A palestra será transmitida ao vivo, por videoconferência, e a participação é gratuita, com inscrições pela Sympla.

Merlino, que é professor da FAAP-SP e doutorando em História da Arte e referência no mundo da moda, apresentará uma perspectiva histórica da temática LGBTQIA+ na arte, passando por diferentes períodos: Antiguidade e Idade Média, quando surgiram as primeiras representações de homossexualidade; Renascimento e Barroco, movimentos que exaltavam os ideais de corpos – masculinos e femininos – e já mostravam algum sugestionamento erótico, o que viria a se consolidar, de fato, durante o Rococó e o Neoclassicismo.

Com o crescimento da produção de imagens de cunho LGBTQIA+, no século 19, a representatividade passou, gradativamente, a ser mais aceita a partir do século 20, ao acompanhar os movimentos civis por direitos desses grupos. Tudo isso culmina com o surgimento de expressões contemporâneas, como a Gay Art e a Queer Art, na passagem do século 20 ao 21.

Todo esse percurso será analisado sob ótica moderna, com destaque ao processo de desenvolvimento da Arte Ocidental a partir do prisma homoafetivo. Lorenzo comenta, por exemplo, que, ao contrário do que acredita o senso comum, a homossexualidade como a entendemos hoje não era aceita na Grécia Antiga. Ela estava restrita aos homens da classe dominante e tinha uma função social específica.

“Temos no Ocidente, hoje, uma característica de normalidade, que não existia na Antiguidade, e temos mais força na luta por direitos, o que acaba tendo reflexo, também, em nossa forma de fazer arte”, defende.

Ainda sobre a influência e a representatividade LGBTQIA+ nas artes, vale destacar alguns dos grandes nomes da história da arte, apontados como homossexuais: Michelângelo (1475-1564), pintor, escultor e poeta; o multifacetado Leonardo da Vinci (1452-1519), que, de acordo com biografias, chegou a representar um de seus namorados em suas pinturas.

Mais recentemente, tem-se Salvador Dalí (1904-1989), ícone do surrealismo, que trocava cartas com o poeta García Lorca; o artista multimídia Andy Warhol (1928-1987); e a pintora Frida Kahlo (1907-1954), que nunca escondeu seus romances com homens e mulheres. “Precisamos sempre rever nossa história e entender como os comportamentos homo ajudaram a construir a arte como a conhecemos na atualidade”, reflete Lorenzo.