Paola Rettore está mais do que preparada para novos naufrágios. Na verdade, está ávida por eles. Tendo estreado o solo “Correntes e Naufrágios” (do projeto “Pequenas Navegações”) em 2009, ela comemora o fato de sua iniciativa ter sido agraciada, agora, com o prêmio Cena Minas 2014, o que possibilidade que a artista de dança, atriz, coreógrafa, educadora e poeta o recupere em sua versão integral. Não que o espetáculo seja o mesmo de quatro anos atrás. “Na verdade, pelo fato de ter um caráter improvisacional, o resultado será sempre uma surpresa, uma obra aberta”, diz a moça, nascida em Milão, mas belo-horizontina por reivindicação própria. 
 
Contabilizando um ano de idade “e mais meio século”, Paola festeja ainda o fato de se apresentar, desta vez, na Casa da Ópera, no Memorial Minas Gerais Vale (Circuito Cultural Praça da Liberdade), nesta quinta-feira (20), às 17h30 e 20h30, sábado, às 11h30 e 14h30; e domingo, às 11h30, com entrada franca. “O lugar é lindo! Depois da estreia, tinha apresentado só fragmentos, células que puderam ser retiradas e expandidas. Agora é uma possibilidade para quem não viu”, diz ela, ressaltando que não, não há a pretensão de passar alguma mensagem. 
 
“Acho que a obra fala de coisas do dia a dia, da vida, e abre, ao espectador, a possibilidade de elaborar a partir daí, de lidar com as próprias emoções. Bem, a obra aborda, também, a violência entre as pessoas e há uma cena que sugere um aborto, mas não explícita”, diz ela, citando, feliz, retornos que abalizaram sua iniciativa, como do psicanalista e filósofo Marcio Heleno Barreto, de Adelaine Laguardia, de Luiz Carlos Garrocho e, claro, do público – em um caderno guardado com carinho.