Não é difícil fazer uma lista dos livros que ganharam adaptações para a televisão e para o cinema. No universo das séries, exemplos recentes disso se converteram em grandes sucessos, como as produções da Netflix “Orange Is The New Black” e “House Of Cards”. Apesar de esse ser o caminho mais comum, o contrário também acontece e rende bons capítulos em páginas sucessos editoriais. 

Prova disso é o acordo recente entre a Netflix e o Grupo Planeta, que prevê o lançamento de livros baseados nas séries “La Casa de Papel”, “Elite” e “La Casa de Las Flores”. 

Segundo Cassiano Elek Machado, diretor editorial da Planeta Brasil, braço brasileiro do grupo editorial espanhol, a primeira adaptação deve ser lançada no segundo semestre deste ano. “O que posso adiantar é que esse projeto será um romance, um livro de ficção feito a partir da série Elite”. 

A previsão é de que a obra seja lançada em novembro no México e na Espanha. “Devemos receber o material daqui a mais ou menos um mês para avaliarmos se vamos lançar na mesma época”, diz. 

Além das adaptações de “Elite”, que formarão uma trilogia, “La Casa de Papel” e a série “La Casa de Las Flores” devem ganhar fanbooks – publicações não-ficcionais que trazem conteúdos exclusivos para os fãs.

Em um cenário de crise editorial, Machado avalia o projeto de forma positiva. “Os livros perderam terreno para as mídias sociais e para o streaming. De fato, a disputa pelo tempo de lazer acaba ficando um pouco mais intensa com essas outras atrações. Então, esse projeto é interessante por ser um estímulo para que as pessoas, principalmente os jovens que consomem séries, possam também ter mais quilometragem em leitura”, acredita.

A jornalista Victoria Hope, editora-chefe do portal Amelie Magazine, especializado em cultura pop e cinema, reforça o coro. Para ela, que trabalha no ramo de séries de TV e cinema há 10 anos, a aproximação entre os seriados e a literatura é uma forma de manter a relevância das obras literárias. “Os livros nunca deixarão de existir, assim como as séries e os filmes, mas é preciso que esses mercados se adaptem e se conectem de alguma forma”, pontua ela, que cita como exemplo o crescente interesse pelos livros que serviram de inspiração para “Game Of Thrones” após o sucesso da série. 

Mais conteúdo

Além de serem uma boa maneira de aquecer o mercado editorial, as adaptações acabam se tornando uma boa maneira de ampliar o universo dramático das séries. Um dos exemplos disso é o seriado “Lost”. Sucesso na telinha, a produção da ABC deu origem a livros que exploraram o universo ficcional do seriado, cobrindo brechas deixadas pelos episódios audiovisuais.

“Com essas adaptações é possível também explorar mais a psicologia por trás dos personagens, suas motivações e conhecer detalhes que antes não eram percebidos na série”, afirma Hope.

Além de adicionarem novos detalhes e pontos de vista às séries, as adaptações podem trazer novas histórias para o mesmo universo ficcional. Esse é o caso da série policial “CSI”, que deu origem a 19 livros. O mesmo aconteceu com os spin-offs televisivos da produção, “CSI: Miami” e “CSI: NY”, que inspiraram oito e quatro livros, respectivamente.

“Fãs de cultura pop, principalmente séries de televisão e cinema, tendem a buscar por uma extensão das histórias que mais amam. É um público que busca por mais conteúdos que os mantenham ‘dentro’ daquele universo o maior tempo possível”, analisa.