Não é apenas a nostalgia de quem acompanhou as carreiras de Paul McCartney, John Lennon, Ringo Star e George Harrison, juntos nos Beatles ou separados. No palco, Paul, aos 75 anos, mantem aceso o culto ao fab four, com disposição bastante para tocar por três horas sem parar. Na ponta do lápis, nada menos do que 38 canções.

É esse Paul que aguarda o belo-horizontino que for hoje ao Mineirão, ocasião que marcará a segunda visita do sir à capital mineira. E, como na primeira vez, promete ser inesquecível. “Ele ainda faz de tudo pra interagir da melhor maneira possível com seu público. No papel de Mister Simpatia, Paul é quase um show à parte”, avisa a jornalista Mônica Kanitz, que esteve no show de Porto Alegre, na sexta-feira, onde o beatle abriu a turnê brasileira de “One on One”.

Não faltaram saudações típicas como “Oi, Porto Alegre”, “Obrigado, gaúchos e gaúchas”, “Bah” e “Trilegal”. Quando passou por aqui em 2013, o ídolo já tinha caprichado no mineirês, abusando do “uai”. Aliás, foi a partir dessa expressão (com a campanha virtual “Paul vem falar uai”) que ele atendeu a centenas de pedidos para incluir BH naquele giro.

“Ele também rebolou, mandou beijos, ensaiou frases completas com a ajuda de uma cola (fez a gente gargalhar na hora de pronunciar ‘recente’, puxando o som do r) e encerrou com a mensagem que todos esperavam: ‘Até breve!’”, relata Mônica, já na espera de um reencontro mágico.

O cantor e compositor inglês não varia muito o setlist entre um show e outro. Em São Paulo, onde tocou no domingo, a única diferença foi a troca de “Got to Get You Into My Life” por “Drive my Car”, a quinta música de um repertório aberto com “A Hard Day’s Night”, “Junior’s Farm”, “Can’t Buy me Love” e “Jet”.

Paul passeia por suas composições para os Beatles, Wings e trabalhos solos. Do quarteto de Liverpool, surgem as clássicas “Love Me Do”, “And I L Love Her”, “Blackbird”, “Eleanor Rigby”, “I Wanna Be Your Man”, “Let It Be”, “Hey Jude”, “Yesterday”, “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” e “Helter Skelter”. Na passagem anterior, ele cantou “All My Loving”, “All Together Now” e “Get Back”, ausentes no repertório de agora.

O tom de celebração ganha força com as homenagens aos companheiros falecidos que construíram a história dos Beatles–do produtor George Martin, lembrado em “Love me Do”, passando por John Lennon (“Here Today”), até chegar a George Harrison (“Something”).

Em Porto Alegre e São Paulo, houve espaço para discurso pelas causas sociais ao falar de paz e direitos humanos com “Blackbird” e “Give Peace a Chance”, além de exibir a bandeira do movimento LGBT junto com a do Brasil e da Inglaterra antes de “Yesterday”. “Foi uma noite leve, linda e histórica – quase um alívio em tempos tão pesados”, registra Mônica. Hoje é a nossa vez.