Após sete meses fechados devido à pandemia, os cinemas, teatros e casas de espetáculo de Belo Horizonte saberão hoje (16) quando poderão reabrir as portas. A secretária municipal de Cultura, Fabíola Moulin, confirmou ao Hoje em Dia que o decreto será publicado, junto com os protocolos sanitários que deverão ser seguidos pelo setor.

As regras já haviam sido disponibilizadas no site da PBH, há um mês, mas a secretária observa que houve modificações para atender a algumas reivindicações dos produtores culturais. Um dos pontos mais debatidos, especialmente pelas salas de cinema, é a possibilidade de haver venda de alimentos e bebidas no local, vetada no documento divulgado anteriormente.

Presidente do Sindicato das Empresas Exibidoras de Cinema de Minas Gerais, Lúcio Otoni salienta que o protocolo é semelhante ao que foi definido para Rio de Janeiro e São Paulo, com exceção do funcionamento das bomboniéres. “A gente espera que isso seja revisto, após solicitação que fizemos aos órgãos competentes. Nenhuma outra grande capital teve essa proibição”, compara.

‘Temos conversado há alguns dias com o setor e os protocolos foram feitos em diálogo com eles”, adianta Fabíola. “Publicamos antes no site da Prefeitura para que houvesse contribuições. No geral, praticamente não houve mudanças. Fizemos sim um ou outro ajuste, até mesmo no texto, para ficar mais claro. Essencialmente, será aquilo que foi publicado”.

Sobre as bomboniéres, ela observa que o tema ainda estava sendo debatido até a tarde de ontem com técnicos da Secretaria de Saúde. “A gente sabe desta demanda e internamente estamos fazendo a discussão das possibilidades, com o auxílio de infectologistas e da Vigilância Sanitária”, explica a secretária.

Protocolos
Fabíola Moulin destaca que cada segmento terá um protocolo próprio. “No geral, é aquilo que já está bastante conhecido, como uso de máscara e álcool em gel, a higienização, o distanciamento. E aí tem as especificidades, como o fato de poderem ficar juntos grupos de até quatro pessoas, com um distanciamento ao redor deles”, detalha.

Um vídeo de conscientização, adianta ela, deverá ser exibido antes de cada sessão ou espetáculo. Em relação ao teatro, haverá questões como o controle e a higienização dos camarins, dos figurinos e dos cenários. ‘Também há a preocupação de aumentar o intervalo de exibição entre uma sessão e outra para que haja uma higienização mais cuidadosa”, pontua.

Otoni diz que os cinemas de BH já estão se adequando às mudanças, da bilheteria ao interior das salas. “Quando você compra o ingresso, seja para uma ou quatro pessoas, o sistema já faz o bloqueio do entorno, num raio de um metro e meio”, destaca. Ele lembra que as salas funcionarão com 50% de sua capacidade.

“Estamos com expectativa para esta retomada e poder minimizar um pouco do prejuízo, que foi enorme nesse ano. Nosso setor teve 75% de queda de faturamento em relação à 2019. É um número bem significativo”, analisa. 

Segundo ele, a maior parte das empresas optaram pela suspensão do contrato de seus funcionários. “Outras, infelizmente, demitiram, mas pretendem retomar os empregos ao longo de 2021”, informa.

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 Cine Humberto Mauro terá, pela primeira vez, assentos marcados para que as pessoas não fiquem próximas

Palácio das Artes tem que se adequar a mais de 15 protocolos

Enquanto a maior parte dos espaços culturais está se adequando a protocolos específicos, o Palácio das Artes tem mais de 15 normas sanitárias para seguir. “Nós temos uma infinidade de atividades, desde as áreas artísticas aos corpos estáveis e escolas”, assinala Eliane Parreiras, presidente da Fundação Clóvis Salgado.
 
O Palácio das Artes possui espaços para diferentes artes e capacidades, como galerias, cinemas, teatros de pequeno e maior porte. “A partir destes protocolos, partimos para o processo de finalização e organização dos espaços para receber os artistas e o público, que vão de medição de temperaturas a uso de máscaras”, explica.
 
Alguns segmentos receberão modificações específicas, como o Cine Humberto Mauro, que passará a ter lugares marcados. “Isso só ocorria de forma pontual, mas agora, obrigatoriamente, vamos ter por causa da pandemia, para que haja o bloqueio de poltronas. Para isso também estamos adaptando o sistema de venda de ingresso”.
 
Apesar da proximidade da reabertura da sala, Eliane ressalta que a programação on-line não será abandonada. “Algumas conquistas que foram aceleradas por causa da pandemia serão mantidas, com a criação da plataforma Cine Humberto Mauro +, ampliando assim o acesso à programação por meio virtual”, revela. 
 
Apesar de as galerias já terem autorização da Prefeitura para funcionarem, a Fundação Clóvis Salgado não reabriu os seus espaços. De acordo com a presidente Eliane Parreiras, a intenção do governo mineiro é fazer com que todos os seus espaços retomem as atividades conjuntamente
 
Ela destaca que muitas atividades têm lotação esgotada e, com a limitação de capacidade de50%, o acesso virtual surge como uma compensação e também uma forma de ampliação do público. “Tudo isso está sendo pensado e dialogado para dar a melhor oferta para o público”, registra a presidente do Palácio das Artes.
 
Para os outros setores do centro cultural, que dependem mais de uma programação externa, Eliane Parreiras afirma que ainda não foi procurada por agentes culturais. “Apesar da sinalização da Prefeitura, a gente não teve nenhuma procura efetiva. Está todo mundo esperando para ver quando e como será esta volta presencial”.
 
Eliane observa que algumas produções maiores chegaram a conclusão de que não têm viabilidade econômica com apenas 50% da casa. “Desta forma, elas optaram por transferir para 2021, até porque várias delas já estavam com casa cheia. Nós temos essa característica de espetáculos que só aconteceriam em novembro, por exemplo, já terem ingressos vendidos com sucesso em março”, afirma.
 
Ela sublinha que foi feita uma negociação individual com cada produção, buscando identificar as características de cada uma. Além da transferência para uma data futura, podem ocorrer mais de uma sessão do mesmo espetáculo.