Peça 'A Valsa de Lili' promove encontro com uma personagem que está fisicamente paralisada

Da Redação
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26/11/2021 às 16:43.
Atualizado em 05/12/2021 às 06:20
 (JOÃO CALDAS/DIVULGAÇÃO)

(JOÃO CALDAS/DIVULGAÇÃO)

O Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte apresenta a partir deste sábado (27) o espetáculo "A Valsa de Lili", sucesso de público e crítica em São Paulo e Brasilia.

O novo texto de Aimar Labaki, encenado solo por Débora Duboc e dirigido por Débora Dubois, é inspirado no livro autobiográfico "Pulmão de Aço", de Eliana Zagui (a Lili da vida real), e promove o contato da plateia com uma personagem única, que está fisicamente paralisada, mas encontra-se intelectual e emocionalmente livre.

A montagem tinha temporada prevista para março e abril de 2020 e janeiro e fevereiro de 2021, mas foi adiada nos dois momentos devido à pandemia de Covid-19 e, agora, retoma até o dia 20 de dezembro de 2021, sempre de sexta a segunda, às 20h, no CCBB. Ingressos a R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia).

As duas Déboras, a atriz e a diretora, unem-se para contar a história dessa mulher extraordinária que sofre de paralisia e movimenta apenas a cabeça. Aimar Labaki constrói de forma delicada e emocionante a história de Lili que, tanto na vida real quanto na narrativa, está numa UTI há quase 40 anos (desde os 2 anos), por conta de uma poliomielite mal diagnosticada. Débora Duboc já levou para casa o Prêmio APCA de melhor atriz pela atuação na peça. E o espetáculo é indicado ao Prêmio Aplauso Brasil Brasil nas categorias de melhor texto, melhor atriz e desenho de luz.

“Lili vive em uma condição muito singular, mas seus questionamentos, medos e verdades são os mesmos de qualquer pessoa na sua idade: a necessidade de amar e ser amada, a relação com a morte, o que fazer da vida, como conseguir o sustento com o trabalho. Lili e seus amigos são uma prova viva da máxima de Sartre: o importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós”, diz Débora Duboc.

“A luta de Lili para sobreviver em condições tão adversas, sem perder o humor e o amor, são a metáfora perfeita para os dias sombrios que vivemos, entre a violência e a desesperança”, completa o autor Aimar Labaki.

A parceria entre a diretora Débora Dubois e o autor Aimar Labaki é antiga. Ambos assinam os espetáculos MotoRboy e Pirata na Linha, dois sucessos para adolescentes, além de Poda ou Una Notte Intera, que Débora dirigiu para o Festival Intercity, em Florença, na Itália. Ela também dirigiu Duboc em espetáculo com curadoria de Gianni Ratto.

Sobre A Valsa de Lili, Dubois diz ser “um testemunho forte e sensível, uma forma de vida tão única e singular, que alçou vôo pra falar e tocar fundo em muitos de nós".

“Eu entendi que viver é um ato político". A existência de Lili é uma escolha diária. A personagem diz: Eu posso não mexer nada do pescoço para baixo, mas a minha alma nunca deixou de dançar. E como diz Suassuna: "No meu entender o ser humano tem duas saídas para enfrentar o trágico da existência: O Sonho e o Riso. Isso Lili tem de sobra”, finaliza Duboc.

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