Sabe aquela cadeira de madeira já “caindo aos pedaços”, cheia de ranhuras, que foi da vovó? Tem quem jogue no lixo. Felizmente, nas mãos de outras pessoas torna-se uma peça exclusiva. E o que muitas vezes começa como um hobby ou caminho para resgatar o valor emocional das peças, de quebra, ainda vira fonte de renda.

“Não jogue fora”, vai logo avisando a pintora Conceição Chaves, que se descobriu uma restauradora de mão cheia há cerca de 25 anos. 

As primeiras experiências foram com os móveis da mãe, que ganharam uma repaginada. O resultado chamou a atenção de amigos e parentes. Ainda em dúvida, Conceição chegou a estudar estética e a trabalhar na área, mas o olhar criativo dela prevaleceu. 

Desde 2006, a pintora decidiu se dedicar integralmente às artes. Trabalhando em casa, decorada com antigos móveis de família e também muitas peças encontradas no lixo (como as cadeiras que ela transformava enquanto conversava com a reportagem), a artista põe paixão em cada detalhe e não se vê mais longe dos pincéis, tintas e lixas de madeira. “Adoro o que faço”, reforça.

E qual a dica para quem quiser arriscar e inovar? Adquirir móveis de segunda mão é um bom começo, diz ela. Há lojas nas quais é possível encontrar peças usadas com um valor bem mais em conta. 

EM PROCESSO – Alessandro Emediato diz receber muitas encomendas. “Tenho tido um bom retorno financei
EM PROCESSO – Alessandro Emediato diz receber muitas encomendas. “Tenho tido um bom retorno financeiro”, garante

Dois mundos
O representante de vendas Alessandro Emediato também descobriu um novo talento de forma descompromissada. Assim como Conceição, não esperava que o hobby virasse fonte de renda. O talento emergiu após o falecimento da mãe, há mais de uma década. 

“Vim morar na casa dela e vi que tinha muitos móveis antigos. Então, comecei a mexer neles”, relembra. Depois de um tempo, passei a divulgar os resultados no Facebook e as pessoas foram se interessando”, festeja. 

Garimpar as peças de trabalho também é hábito. Há cinco anos, Emediato comprou um conjunto de mesa e cadeiras antigo. “O material estava muito estourado, então, resolvi fazer uma plotagem com imagens em homenagem à Pampulha”. 

Não demorou para que os móveis despertassem interesse e fossem vendidos. Apesar do sucesso, Emediato ainda se divide entre dois ofícios, pois considera o trabalho de restauração um momento de descontra-ção. “Deixa o meu astral melhor”, diz.

Cátia Maiello e Claudia Aragão, da Casatelier
PARCERIA – Cátia e Claudia se conheceram na faculdade; união de esforços e talentos rende bons e belos frutos 


Móveis com história e afeto ganham nova roupagem

Recuperar o valor sentimental de móveis e outros objetos decorativos é um dos objetivos de quem busca restaurar ou revitalizar as peças. É a partir deste ponto de vista que a arquiteta Claudia Aragão e a designer de interiores Cátia Maiello desenvolvem o trabalho na Casatelier. “Nossos projetos são feitos com histórias e levamos em consideração o valor sentimental de cada peça”, frisa Claudia. 

No escritório da dupla, o artesanato e a brasilidade são lemas. Tudo, claro, com bastante cor, tendo a natureza como inspiração. “Em geral, as pessoas ainda têm muito medo de colocar e misturar cores, mas mostramos que o resultado fica maravilhoso”, diz a arquiteta. 

As sócias tentam não jogar nada fora, o que, às vezes, dá certo trabalho. “Uma vez, um cliente queria descartar a cadeira de balanço que foi da avó. Foi um custo ‘dobrá-lo’, mas conseguimos e o resultado foi um móvel pessoal, único”, exemplifica Claudia. A ideia, explica, é fazer de um imóvel um lar confortável, “para ser usado”. “Tem lugar onde a gente chega e não sabe se pode sentar ou não”, brinca. “A casa precisa ter ‘alma’”, acrescenta. 

“Há um valor sentimental. Muitas vezes, por trás do móvel, existe uma história de família”, Alessandro Emediato, restaurador e representante de vendas

Cátia e Claudia mostram como revitalizar peças antigas:

Faça você mesmo

Para quem deseja aprender a técnica de pintar superfícies de madeira, a dica é ficar atento à abertura das inscrições para o curso “Pinturas Especiais em Paredes e Móveis de Madeira e Ferro”, do Senac Minas. 

Para quem quer começar agora mesmo uma especialização, a Fiemg oferece o curso “Pinturas Especiais”, que ensina a trabalhar com materiais como madeira e superfícies elaboradas. 

Aprender pela tevê também é possível. O programa “Admirável Móvel Novo” (GNT) é uma fonte de inspiração, já que apresenta formas de mudar completamente aquele móvel antigo presente em casa. 

Além disso

Claudia Aragão e Cátia Maiello dão dicas práticas para quem quer dar uma repaginada nos objetos que possui em casa:

- Inove nas cores. Não tenha medo de misturar tons e usar cores vivas na madeira e nos tecidos.

- Use tinta laqueada ou de madeira e observe o tempo de secagem para passar uma nova camada de tinta. O ideal é pintar a peça, no mínimo, duas vezes.

- Não se esqueça de passar massa para calafetar a madeira para tapar buracos, caso existam.

- Papel adesivo pode ser usado para a customização de objetos, dando um aspecto completamente novo.