O título do livro “Raimundo Fagner: Quem me Levará Sou Eu”, recém-lançado pela editora Agir, já entrega o perfil do cantor e compositor cearense, um dos principais nomes da MPB. “Fagner é dono de uma personalidade forte. Ao contrário de muitas pessoas, que ficam em cima do muro, ele diz o que pensa e acaba sempre criando polêmica”, registra a biógrafa Regina Echeverria.

Autora também de livros sobre Cazuza, Elis Regina, Gonzaguinha e Gonzagão e Jair Rodrigues, a jornalista paulistana não escondeu nenhum quiprocó na publicação, ainda que ele tivesse tudo para ser “chapa branca” – foi realizado com recursos levantados pela Fundação Raimundo Fagner, que tem a irmã do artista, Marta, como um dos coordenadores.

“A Marta é bibliotecária aposentada e, ao longo da vida de Fagner, guardou muito material, o que adiantou bem as coisas para mim”, salienta Regina, que, como jornalista da revista “Veja” na década de 1970, já acompanhava a carreira do cantor. “Juntando ao que eu não sabia, e não era pouca coisa, temos uma visão mais profunda de Fagner”, assinala.

A quatro meses de completar 70 anos, Fagner fala, entre outros assuntos, sobre a descoberta tardia de que era pai. “Foi incrível ele se abrir sobre isso, ao conhecer um filho já adulto. Fagner nunca casou, mas acabou ganhando uma família inesperada”, registra Regina, que não sabe dizer a razão de o artista nunca ter “juntado os panos” – “Você vai ter que perguntar para ele”.

As brigas com o meio artístico – em especial com Caetano Veloso – também aparecem no livro, além da difícil relação com as gravadoras. “Ele é assim: se está num grupo, é o Fagner quem manda. Ao mesmo tempo, ele tem muitos amigos”, analisa. Também repercutiu bastante o apoio à eleição de Jair Bolsonaro à presidência, no ano passado. Uma postura que, como admite a biógrafa, não é comum no meio cultural.

Por conta da amizade com Aécio Neves, desde a época das Diretas Já, Fagner fez muitos shows em Belo Horizonte. Antes, a capital já surgia de forma marcante na biografia dele, quando se apresentou no Minas Tênis, em 1979. Com a casa lotada e, do lado de fora, uma fila que dava volta no quarteirão, os portões acabaram sendo derrubados, com centenas de pessoas entraram na marra para ver Fagner.