Por conta da maior crise vivenciada desde sua criação, a Petrobras deve cortar ainda mais o seu investimento no setor cultural. Há três anos a empresa não lança edital de seleção pública de projetos culturais e, segundo o portal da Folha de S. Paulo, esse cenário deve se repetir em 2016. De acordo com o jornal paulista, os projetos que recebem patrocínio direto – ou seja, que não passam por leis de incentivo e renúncia fiscal – também seriam prejudicados pelos cortes. Nesse caso, há dois casos belo-horizontinos de repercussão nacional: o Grupo Corpo, na área da dança, e o Grupo Galpão, de teatro.

A diretora Carla Camurati, ex-gestora do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, foi contratada pela gigante do petróleo para definir uma nova política de patrocínio cultural – investimento que ainda seria considerado estratégico pela empresa, já que este é um momento importante para trabalhar uma boa imagem frente aos consumidores brasileiros.

Ainda de acordo com a Folha, Carla está levantando informações sobre os projetos patrocinados e deve entregar um relatório em fevereiro. A Petrobras afirmou ao portal paulista que os valores de patrocínios estão em processo de definição.

Galpão

Segundo Eduardo Moreira, diretor artístico e ator do Grupo Galpão, o contrato com a Petrobras ainda não foi assinado, mas há um acordo verbal garantindo a manutenção do patrocínio. A questão é que, como orçamento para a área não foi definida pela petrolífera, o valor do patrocínio não foi tratado ainda. No ano passado, o Galpão recebeu R$ 2,1 milhões.

O grupo recebe o patrocínio da Petrobras há 13 anos, mas há algum tempo o recurso vem sofrendo cortes, tanto que o contrato não é mais de exclusividade, permitindo que se busque outros patrocinadores.

O patrocínio serve para custear parte da manutenção do Grupo Galpão (que envolve mais de dez componentes) e para a circulação do grupo, que viaja para cidades do interior de todos os Estados, inclusive em regiões pobres.

Neste momento, o Galpão prepara um espetáculo com texto construído coletivamente, contando com a direção de Márcio Abreu, da Companhia Brasileira de Teatro. A peça está prevista para estrear em abril.

A reportagem buscou também a direção do Grupo Corpo, mas não teve resposta, pois a equipe está toda de férias.