Ao participar do Festival de Inverno da UFMG de 1988, em Poços de Caldas, o Giramundo transformava para sempre a vida de Gustavo Noronha: ao estagiar com o mais reconhecido entre todos os grupos de bonecos do país, ele descobria uma paixão, um ofício que viria reorientar toda sua vida dali em diante. O Giramundo tornou a marcá-lo definitivamente: uma das duas apresentações de “Pedro e o Lobo” que o grupo realizou semana passada em Poços inaugurava o teatro Casa dos Bonecos. E acrescentava ainda mais perspectivas positivas a esta iniciativa que acaba de surgir.

Instalado na principal avenida comercial da cidade do Sul do Estado, o teatro tem dimensões reduzidas: ocupa um terreno de 6m x 13m. Nele, Gustavo construiu um palco de seis metros de altura e igual medida de largura e de profundidade. Apenas 70 cadeiras e corredores destinados a expor obras de artistas locais e de fora.

“É um teatro de bolso”, situa Gustavo, apontando que além de apresentações de espetáculos de bonecos e de dança, de shows musicais acústicos, de formações para poucos músicos, o local também pode se prestar a receber bem sessões de humor stand up, uma febre ainda bastante atual na região – mas onde ele não manda, certo?

“Mãetrocínio”

Inaugurado sem recursos de lei de incentivo, o teatro consumiu cerca de R$ 100 mil de confesso “mãetrocínio”. E contou com apoio da prefeitura local, que se dispôs, por exemplo, a arcar com algumas das despesas de receber o Giramundo na cidade e da segunda apresentação de “Pedro e o Lobo”, no Teatro Municipal.

Agora que a nova sala já está inaugurada, a previsão é a de que ela esteja capaz de abrigar algo em torno de dez sessões por semana. Embora o turismo, que já foi bastante florescente, tenha sido suplantado pela mineração como maior fonte de renda do município. Embora ainda não haja nenhum outro espetáculo programado até aqui.

Ainda assim, as expectativas são as melhores: “Tô muito animado com tudo, acho que vai dar certo, aliás, todo mundo me diz que já deu. Tomara”, aposta Gustavo, que reformou um imóvel de família para dar início a mais um investimento na sua longa lida bonequeira.

Além de atuar por mais de dez anos e em dez novas montagens do Giramundo (“Cobra Norato”, o próprio “Pedro e o Lobo”, “Carnaval dos Animais”, “O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá”, entre outras), enquanto estudava Arquitetura na UFMG/BH, Gustavo também foi parceiro de Paulinho Polika à frente do GPTo, núcleo de bonecos confeccionados com sucata, em Cataguases – experiência que, somando, lhe absorveu três anos – e do Bonecos Gigantes de Brasópolis, onde vem trabalhando desde 2001.