Neste momento em que a internet se tornou uma importante (em alguns casos, única) forma de entretenimento para quem está isolado em casa, devido à disseminação do coronavírus, diversos aparelhos e projetos culturais mineiros que investiram em conteúdo digital estão colhendo os frutos agora.
 
É o caso da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, que, no início do ano, quando ainda não se sabia a extensão da pandemia, inaugurou o projeto “Filarmônica Digital”, com a ideia de transmitir concertos online e criar um podcast, o “Filarmônica no Ar”, que já teve um primeiro episódio disponibilizado.
 
“O cenário atual evidencia o papel fundamental da arte e da cultura em qualquer situação”, observa Agenor Carvalho, diretor de comunicação da orquestra. Apesar de os podcasts estarem, inicialmente, vinculados aos concertos temáticos do programa “Fora de Série”, os produtores resolveram manter a ferramenta digital.
 
"Vamos seguir com o cronograma, já disponibilizando o segundo episódio no dia 30. Independentemente deste hiato (de concertos), continuamos a cumprir a função prioritária, de papel didático e pedagógico”, registra Carvalho. Para este ano, serão nove podcasts sobre formas musicais.
 
O primeiro podcast (anchor.fm/filarmonicamg) abordou as suítes e teve duração de 12 minutos, com a participação de músicos da Filarmônica, a violinista Joanna Bello e o percussionista Rafael Alberto. O podcast está nas diferentes plataformas de streaming, como Spotify, Apple Podcasts, Google Podcasts, Breaker e Overcast.
 
O objetivo da orquestra, de acordo com o diretor de comunicação, é atingir o maior número possível de pessoas, “levando mais conteúdo para a casa das pessoas”. Uma das cerejas no bolo do “Filarmônica Digital” é a transmissão ao vivo de concertos, que tiveram que ser interrompidos, sem data ainda para retornar.
 
“Vamos transmitir cinco deles ao longo da temporada. Com este período de suspensão, vamos esperar a revalidação do calendário”, assinala Carvalho, que destaca o fato de a Filarmônica produzir todo o material, sem recorrer a terceiros. No próprio prédio da Sala Minas Gerais, há um estúdio de edição.
 
Espalhados pela sala de concerto estarão seis câmeras do tipo PTZ, que não precisam de cinegrafistas e são controladas remotamente. “Nossa intenção não é tirar as pessoas da sala, mas sim gerar mais interesse”, explica. Hoje a média da taxa de ocupação dos concertos (cerca de 90 são realizados numa temporada) é de 80%.
 
sempre

Adélia Prado é um dos destaques do programa “#OutonoemCasa” junto com Marcia Tuburi e Leonardo Boff

 
Canal do "Sempre um Papo" terá entrevistas ao vivo
 
O cronograma de lançamentos de livros dentro do projeto “Sempre um Papo” teve que ser paralisado, assim como tantos outros eventos públicos, mas o idealizador e coordenador Afonso Borges não pretende deixar de falar sobre literatura.
 
Em primeira mão ao Hoje em Dia, ele explica que usará o canal no YouTube (https://www.youtube.com/user/info8888) para fazer entrevistas ao vivo, com escritores e também especialistas no principal tema da atualidade: coronavírus.
 
“É uma forma de transformar o canal mais dinâmico e menos estático. Se não fica igual a um museu, com as pessoas acessando apenas a coleção. Neste momento, estamos finalizando a discussão sobre a parte técnica, sobre qual plataforma usar”, revela.
 
O canal está lançando o programa “#OutonoemCasa”, que destacará uma seleção de 20 entrevistas feitas pelo “Sempre um Papo”, que tem 23 anos de atividades. Os primeiros são os de Adélia Prado, Marcia Tiburi e Leonardo Boff.
 
“Escolhemos os entrevistados, primeiramente, pela qualidade. E segundo, pela contemporaneidade. São pessoas que sempre falaram de liberdade, de expansão de conhecimento e respeito ao meio ambiente”, destaca Borges.
 
Com mais de 400 vídeos disponibilizados no canal, o idealizador não tem dúvidas de que tem um conteúdo de “cair o queixo”, como define. “Duvido muito que exista no Brasil um material com essa importância para a literatura brasileira”.
 
Borges evita dizer palavras como “isolamento” e “confinamento”. Para ele, essa geração está vivendo o seu outono mais importante. “É a estação do recolhimento, dos alérgicos ao pólen. Somente bons programas culturais podem nos salvar”, avisa.
 
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