Mais que um espaço de trânsito, por onde milhares de belo-horizontinos passam todos os dias, a Praça da Estação tornou-se lugar de encontro seja social, político, cultural. E agora ganha as telas da televisão: este espaço urbano marcante do hipercentro de Belo Horizonte será tema do programa “Arquiteturas”, que vai ao ar no sábado (23), às 21h, pelo SescTV (canal 128 pela Oi TV).

Produzido pelo jornalista Paulo Markun e pelo cineasta Sérgio Roizenblit, o programa televisivo ganha a oralidade de personagens que contarão a história da Praça Rui Barbosa, ou simplesmente Praça da Estação, como é mais conhecida por sua proximidade com o prédio histórico da estação ferroviária.

Aliás, a praça também costuma ser chamada de Praia da Estação, quando sedia manifestações culturais. A “praia” fica por conta das fontes d’água que refrescam os frequentadores.

História

Quando a cidade foi fundada, em 1897, o espaço era como um porto seco: era lá que desembarcavam os novos moradores e trabalhadores que chegavam pela estação de trem. Este trânsito fez da praça o núcleo urbano inicial da nova capital mineira.

Em 1922 a estação recebia um volume tão grande de passageiros e mercadorias que precisou ser substituída por outra, tal qual é vista hoje. Nessa época a praça adjacente ainda era chamada de Cristiano Otoni. Foi em 1924 que teve seu nome alterado para Praça Rui Barbosa, em homenagem ao jurista e político baiano. O apelido Praça da Estação, no entanto, se mantém até hoje.

O período compreendido entre 1940 até 1980 foi marcado pela modernização de Belo Horizonte. O pólo industrial da cidade foi deslocado para a zona oeste. O modal rodoviário tomou o espaço antes ocupado pelas linhas ferroviárias. Tudo isso fez minguar o número de passageiros, o que reduziu a importância da praça e da linha férrea. Como consequência, toda região central entrou em um período de decadência.

Foram os trilhos da nova estação de metrô que, nos anos de 1980, trouxeram novo fôlego à recuperação do baixo centro da capital, beneficiando a praça. O processo de revitalização foi gradual e o conjunto só foi inaugurado em 12 de agosto de 2004, assinado pelos arquitetos Eduardo Beggiato, Edwirges Leal e Flávio Grillo.

Rapidamente grupos organizados em coletivos culturais, movimentos sociais, rodas de samba e blocos carnavalescos passaram a frequentar o espaço, mudando seu significado para a cidade. Mas isso gerou um conflito com a prefeitura. Em 2010, o prefeito em exercício decretou uma lei que limitava a utilização do espaço que, a princípio, era previsto no “Plano de Reabilitação de Belo Horizonte”.

A Praça da Estação faz parte de um Conjunto Arquitetônico composto pela Serraria Souza Pinto, Viaduto Santa Tereza, Museu de Artes e Ofícios, Centro Cultural da Universidade Federal de Minas Gerais, Casa do Conde de Santa Maria, Edifício Chagas Dória e pela Escola de Engenharia da UFMG. O complexo foi tombado pelo IEPHA/MG.

O programa

A primeira temporada da série Arquiteturas, veiculada pelo SescTV, contou com 13 episódios sobre alguns dos mais importantes locais de convivência criados pelo ser humano, como o Mercado Ver-O-Peso, em Belém, no Pará, e o Instituto Inhotim, em Brumadinho, Minas Gerais.

* Colaborou Alex Bessas