Foi do desejo de montar um espetáculo que falasse sobre o homem atual que o diretor Paulo de Moraes decidiu mergulhar na literatura de Shakespeare e produzir “Hamlet”, montagem que fica em cartaz desta sexta-feira (9) ao domingo (11) no Centro Cultural Minas Tênis Clube.

“É estranho pegarmos uma peça de 1600 para falar dos dias de hoje. Mas ‘Hamlet’ fala de uma forma tão detalhada do homem, que o texto nos coloca em dialógico direto com os nossos tempos”, afirma o diretor. Ele ressalta, a capacidade de renovação do espetáculo. “Hamlet é uma peça esponja. Ela absorve as questões do tempo. É uma história que tem capacidade de se reinventar de uma forma inesgotável”, acredita.

Com todas as possibilidades permitidas pelo texto de Shakespeare, o diretor ainda sublinha a capacidade de abordar o contemporâneo sem ser literal. “Não preciso falar diretamente do Brasil, nem colocar personagens reconhecidos, porque tudo que existe em ‘Hamlet’ dialoga com o que está acontecendo”, pontua. Para ele, essa conversa acontece justamente pelo enredo da peça. “É a história da destruição de uma ordem estabelecida, colapso de um tempo”, ressalta o diretor.

Mas, ainda que a obra tenha em sua essência uma forte relação com discussões relevantes na contemporaneidade, a obra ganhou uma relação ainda maior com os dias de hoje, graças a tradução feita por Maurício Arruda Mendonça. “O texto está mais urgente, mais reconhecível. Ele comunica mais diretamente com a plateia, mas ainda se mantém muito fiel a história original”, sublinha Moraes, que destaca ainda que toda a poesia da obra é mantida. “Ela aparece de uma forma mais seca, mais rasgada. Perdeu um pouco da pompa”.

Esteticamente, o espetáculo também busca aproximar a história da atualidade. “Ele tem um visual moderno, a música é rock and roll, tem projeções”, diz o diretor.

Protagonismo

Para Moraes, embora não tenha sido planejada, a escolha de uma mulher, a atriz Patrícia Selonk, para dar a vida à Hamlet deu ainda mais valor ao espetáculo. “Isso reverbera para o público algumas questões de uma maneira diferente”, afirma Moraes, que destaca a aparição de uma nova leitura do texto de Shakespeare. “Hamlet é um personagem agressivo, um homem que enlouquece, que vai se destituindo de valores. É muito interessante como o público faz a leitura disso a partir do protagonismo de uma mulher”, afirma.

Serviço: Hamlet, hoje e amanhã, às 20h, e domingo, às 19h, no Centro Cultural Minas Tênis Clube (Rua da Bahia, 2244 –Lourdes). Ingressos: R$ 50 (inteira), R$ 25 (meia)