O amigo terno e leal, mas que vive se metendo em trapalhadas. O outro, metido a galanteador e dono de ideias mirabolantes. Durante os 17 filmes que Jerry Lewis e Dean Martin fizeram juntos, entre 1950 e 1956 os personagens seguiam fielmente esta premissa. O primeiro deles foi “O Palhaço do Batalhão”, que chega agora à plataforma do Belas Artes a la Carte.

Feita em preto e branco, a produção já cunhava o formato que consagraria depois, fazendo de Martin o representante do charme, sempre dando de cima de várias mulheres e abusando do pobre coitado do Lewis. Hoje esta situação seria chamada de bullying, mas na época o garotão ingênuo e sentimental era só mesmo um chamariz de confusão.

Em “O Palhaço do Batalhão”, Lewis é um recruta do Exército que se destaca não pela disciplina e dedicação. O comediante usa do próprio corpo para evidenciar este descompasso, mal conseguindo se segurar em pé algumas vezes. As caretas, as mãos passadas sobre a cabeça e os olhos vesgos também já estavam presentes neste filme.

Como em vários enredos da dupla, um mal-entendido acaba gerando uma série de problemas pelo simples fato de o soldado não conseguir se expressar adequadamente. O personagem de Martin, um sargento que não gosta muito de trabalhar, põe o amigo em mais confusões ao tentar se livrar de uma namorada pegajosa.

As cenas acontecem basicamente num único local: o escritório de um coronel da base, responsável pelos suprimentos. Outros longas de Lewis também já exploraram muito um determinado cenário (o ótimo “O Terror das Mulheres”, passando numa mansão, é um deles), mas aqui acaba sendo um limitador.

Há sequências desnecessariamente longas, com muitos diálogos, em que o enquadramento é praticamente o mesmo, resultando na perda de força cômica de algumas situações. Alguns personagens parecem ter uma importância que, no final das contas, não é concretizada. Ainda assim, não dá para ficar sério diante daquele que seria consagrado como o rei da comédia.