Em 2003, o grupo Motirô lançou a música “Senhorita”, que logo se tornou um hit e, nas palavras do líder Dj Hum, “um divisor de água no hip hop nacional”. “Antes havia muita (letra) crítica e muito ‘eu sou foda, isso e aquilo’. Mas não havia ainda a audácia de se rimar com um tema sobre amor. Isso possibilitou que grupos e artistas novos tivessem a coragem de fazer hip hop diferente. O Motirô abriu muitas portas para o hip hop brasileiro”, destaca.

Aquele sucesso condiz com uma das características principais de Hum: o de ousar em inovar. Fato este comprovado ao longo de sua trajetória de mais de 35 anos, cimentada por outras pérolas de sua carreira, vide “Sr. Tempo Bom” e “Malandragem Dá um Tempo” (ambas parcerias com Thaide). Não à toa seu mais novo projeto visa mostrar outro viés de seu trabalho.

Disponibilizado nas plataformas digitais, “Instrumentais: Volume 1” reúne 15 músicas do período entre 1992 e 2018, só que com um detalhe explícito no título: são as versões instrumentais, incluindo as músicas citadas.

Dj Hum

“A priori serão quatro volumes. Dividi por vários critérios: músicas de sucesso, alternativas, experimentais com samples raros ou inusitados, músicas de R&B... Uma mescla, por estilos e um equilíbrio, que se completam aos próximos volumes que virão”, enfatiza Hum, figura itinerante no cenário musical.

“Além de hip hop, produzo samba-rock, soul music, R&B, MPB ou brasilidades, dance music... Sou um produtor versátil nos estilos e da cultura da black music. Quando fui olhar para o material que tinha, cheguei à conclusão que não daria para colocar em um ou dois volumes”, ressalta.

“Vi a necessidade de colocar no mercado versões instrumentais para que as pessoas possam reviver o momento em que as músicas vocais tocavam nas festas locais e clubes. E para a nova geração entender a cultura hip hop na sua forma original. E que entendam também meu lado como produtor musical, que até não era tão divulgado no início do hip hop”, comenta.

Dj Hum

Relação com Minas

Em sua trajetória, Hum trabalhou com vários artistas de BH. “Gravei e produzi com Sideral, produzi Jota Quest... Produzi uma track do Djonga, em 2014 ou 2015, ‘O Bom Maluco’, que não estourou, mas até hoje toca no underground. Ali já percebíamos potencial do Djonga rimando, com temas diferentes, falando de Milton Nascimento, de Fundo de Quintal, da dança, dos clubes, a rima muito doida dele”, relembra.

Projetos

Além de planos envolvendo a música, Hum tem um livro em pauta. “Ainda vamos ver entre este ano e 2021 se rola algum edital ou financiamento. Não é biográfico ainda; quero contar histórias. Não sou bem um Forrest Gump, mas vi muita coisa acontecer no hip hop e na dance music desde 1978”, relata.