Curiosamente, Raphael Vidigal conta que, até certo tempo atrás, não se via como um poeta. Até então, seu manancial criativo se reverberava em peças de teatro (amador), na prática do jornalismo e em textos para o seu site, o Esquina Musical. Mas eis que uma análise mais minuciosa dos próprios textos detectou traços bastantes reveladores dela, a poesia. Foi o empurrão definitivo para se lançar nesta vereda, que deságua agora no livro “Amor de Morte Entre Duas Vidas”, a ser lançado nesta terça-feira (16), a partir das 18h30, na Livraria Asa de Papel (rua Piauí, 631, Santa Efigênia)).

As páginas da obra abarcam nada menos que 75 poemas, divididos em três capítulos, cada um com 25. Há os que versam mais sobre o amor, os mais “antigos”; bem como o “bloco” que reporta-se a reflexões de vida, com pegada mais existencialista. O humor também marca presença, não sem uma pitada de ironia. “Se fosse para comparar a gêneros do cinema, diria há romance, drama e humor”, brinca Raphael, que atualmente contabiliza 26 anos.

O mineiro frisa, porém, que não pratica a chamada “poesia tradicional”, mantendo um pé na prosa. A inspiração vem da observação do dia-a-dia da cidade, transposta de forma direta. “Costumo não processar o que publico, sou bem direto”, diz ele, corroborado pelo professor Marcio Serelle, que, no prefácio, destaca o “tom veloz” da empreitada. “Talvez isso tenha a ver com a minha geração, que, no geral, é ansiosa”, analisa ele, citando Gabriel García Marquez. “Ele dizia que o autor nunca pode começar um texto sem saber como acaba, sou meio assim”, admite.

Influenciado desde sempre por Cazuza, Raphael é um autor voraz de Rimbaud, Paulo Leminski, Mario Quintana, Torquato Neto, Ana Cristina César, Waly Salomão... No momento, anda se debruçando sobre a obra de Manoel de Barros. Não bastasse, segue tocando outros projetos, como o lançamento do CD póstumo de Waldir Silva – Raphael criou letras para 15 de melodias de chorinho que Silva deixou. Cumpre dizer que com o devido aval do saudoso cavaquinista.