A partir da próxima terça-feira, a Casa Fiat de Cultura, integrante do Circuito Cultural Praça da Liberdade, apresenta ao público um novo olhar – e uma impecável homenagem – ao pintor paulista Cândido Portinari (1903 – 1962). Um trabalho que teve a curadoria entregue aos cuidados do estilista belo-horizontino Ronaldo Fraga.
 
Batizada “Recosturando Portinari”, a exposição tem como ponto de partida o quadro “Civilização Mineira”, obra que pode ser vista no hall da casa e é considerada a maior do artista no Estado – formada por 12 chapas de madeira com dois metros de altura e outros oito de comprimento.
 
A partir dela, o visitante é convidado a conhecer vários cenários criados de forma lúdica, colorida e preocupada em instigar todo e qualquer tipo de observador: “pessoas de todas as classes, intelecto e idade distinta, já que, afinal, Portinari é um artista que fala com todos. Sua obra é passível de estabelecer contato com inúmeras frentes. Com a arte, a arquitetura, a moda...”, assegura Ronaldo.
 
O diretor-presidente da Casa, José Eduardo de Lima, explica que a nova aposta do espaço é possibilitar ao público olhares curiosos sobre o trabalho e também sobre a vida de Portinari. “O brasileiro ainda tem uma relação superficial com este artista. O convite feito a Ronaldo Fraga foi uma tentativa de mudar isso, porque ele é o sujeito mais ‘mudador’ que existe”, brinca ele, ao justificar a escolha pelo estilista mineiro.
 
 
Como uma pipa solta ao vento
 
Ao adentrar a mostra, o visitante vai ter a sensação de estar passeando dentro da “Civilização Mineira”. Vai deparar-se com o espantalho que, volta e meia, aparece nos trabalhos de Portinari e que, aqui, ganha forma na reciclagem de gaiolas, enxadas e sucata de Leo Piló – convidado por Ronaldo a transmutar o desenho em escultura.
 
Vai sentir o cheiro de café, “porque sempre que vejo uma tela de Portinari, sinto que ela tem esse cheiro”, explica Ronaldo. E sobre os grãos que estão espalhados no chão de uma sala, vai ver manequins vestidos como se estivessem prontos para uma festa “a la Portinari”. 
 
Nos trajes, prevalecem as cores favoritas do artista: o laranja, o amarelo e o azul, que dão pinceladas também nos balões de São João feitos, vejam só: de coadores de café.
 
Em outro ambiente estão histórias biográficas cedidas pela Fundação Cândido Portinari. “O João é a personificação da gentileza e da melhor obra que seu pai pode fazer”, comenta Ronaldo, sobre o filho de Portinari, que não apenas cedeu materiais para a mostra como promete vir à capital em breve, para conferir a exposição de perto.
 
“Recosturando Portinari na Casa Fiat de Cultura, por Ronaldo Fraga” – De 26 /8 a 26/10. Visitação: 3ª a 6ª das 10h às 21h; sábados, domingos e feriados das 10h às 18h. Entrada gratuita