As ferramentas digitais revolucionaram a maneira de fazer cinema em várias esferas, inclusive no trabalho do ator. No livro “O Ator e a Câmera – Investigações no Jogo do Filme”, recém-lançado pela Editora UFMG, o diretor e professor de cinema Rafael Conde enxerga quatro tipos de atores que podem figurar num filme, dependendo da proposta.

O protagonista não precisa ser, necessariamente, um ator profissional, podendo ser escolhido justamente por sua inserção em determinado meio social e geográfico, tema predominante de um filme. É o que Conde chama de “ator cotidiano”, presente em obras híbridas, que tentam extrair força de um determinado ambiente.

“Não é um ator de ações físicas bem estudadas, capaz de repetir as cenas com a mesma fala e material. O que se busca é sua espontaneidade”, observa o cineasta, que já trabalhou com vários tipos de atores em filmes como ‘Françoise”, “Samba-Canção” e “Fronteira”. Para ele, são possibilidades que dependerão basicamente da visão de subjetividade do realizador.

Entre o ator mais clássico, que leva para o set os seus métodos de interpretação, e aquele que não tem experiência, há, de acordo com Conde, o “ator desconstruído”. Ele cita Matheus Nachtergaele, um dos poucos nomes de maior reconhecimento no filme “Cidade de Deus” (2001), na época. “É quando se busca a verdade do personagem, se misturando à massa de atores”.

Por fim, há o ator social, que está no papel “dele mesmo”, principalmente em documentários. “Eu uso esse termo para enfatizar o grau em que os indivíduos representam a si para os outros; e isso pode ser interpretado como performance”, sublinha Conde.

A análise feita no livro parte  dos filmes “Um Ramo”, de Juliana Rojas e Marco Dutra;  “Da Janela do Meu Quarto”, de Cao Guimarães; e “Man.Road.River”, de Marcellvus L

O valor do encontro

Para o autor, que levou para o livro a tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas, na Unirio, um diretor como instância superior ou solitária na realização de um filme acaba diminuindo muito o potencial dramático de um ator. “O encontro entre o ator e a câmera é a verdadeira essência do filme”, defende.

São práticas que se multiplicam com os recursos digitais de captação de imagens. “O filme pode, agora, assumir o acidente, o ‘erro’ do ator e a espontaneidade do cenário (...), transformando as maneiras de lidar com o ator em cena”, observa o autor.

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