Antes de assinar “O Segredo dos Seus Olhos”, ganhador do Oscar de melhor produção estrangeira em 2010, o diretor argentino Juan José Campanella trabalhou por muitos anos na TV americana, dirigindo, entre outros, vários episódios de “Lei e Ordem”.
 
E é justamente essa série policial, sobre os esforços de policiais e promotores de Justiça para desvendar os mais diversos casos, que a refilmagem de seu maior sucesso, batizada de “Olhos da Justiça”, em cartaz nos cinemas, carrega maiores semelhanças.
 
Veja o trailer do filme:

A principal mudança promovida pelo diretor Billy Ray (Campanella é apenas o produtor executivo dessa adaptação hollywoodiana) está na ênfase do mistério policial, muito acima do drama pessoal do investigador, uma das grandes qualidades do original.
 
Antes tínhamos a dúvida sobre a sanidade do protagonista (o ótimo Ricardo Darín), que praticamente abandonou a carreira após ser impedido de solucionar um crime ocorrido no passado e que ressurge como uma fantasma no presente.
 
Na pele de Chiwetel Ejiofor, essa obsessão sai de cena, afetando a estrutura narrativa, já que a mera elucidação dos fatos faz do filme um trabalho como tantos outros, que apostam em pontos de virada e cenas catárticas de ação ao final.
 
A troca de contextos – a ditadura sul-americana pelo terrorismo – corrobora para essa dimensão mais “coletiva”. Ao proteger criminosos que são informantes, o governo dos EUA teria uma desculpa, embora injustificável.
 
No caso da ditadura, o que se sobressai é a impotência e uma mancha histórica, a ponta do iceberg de décadas de atrocidades. Já a palavra “terrorismo” higieniza, de certa forma, qualquer erro, como um preço a se pagar para evitar a morte de milhões.
 
Outra alteração relevante é o aumento do papel de Julia Roberts, colega de trabalho do ex-investigador, enquanto Chiweter vai “sumindo” a partir da segunda metade, permanecendo apenas como um observador, como se esquecesse dos problemas do passado.