A impressão de Vitor Santana é de ter chegado ao ápice da música. Ao ver sete anos de repertório do grupo Coladera transformados em arranjos para orquestra, para uma apresentação especial que acontecerá na próxima quarta, às 20h30, com a Orquestra de Câmara Sesiminas, o músico sente que o seu trabalho de valorização da cultura portuguesa ganhou outra dimensão.

“É difícil definir. É mais do que ter uma orquestra por trás, acompanhando-lhe. Os arranjos feitos por Neto Belotto, baixista da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, e por Christiano Caldas, vão em direção a uma proposta de recriação musical”, observa Santana, que formou o Coladera ao lado do português João Pires, com quem já lançou dois álbuns.

 

coladera

Grupo foi formado em 2013 com a parceria do mineiro Vitor Santana e do português João Pires, mesclando vários ritmos de países de língua portuguesa

O artista mineiro explica que os arranjos propiciam a mistura de músicas e o acréscimo de introduções, resultando num espetáculo audiovisual. O “visual”, no caso, estará a cargo das projeções, com a exibição de imagens mapeadas de acordo com a música executada, como cenas de falésias e desertos de Angola filmadas de um helicóptero e cenas do curta-metragem “Égun”, de Helder Quiroga. 

Mudança de nível

“Chegamos a um nível muito alto, o que é legal para a gente, pois na Europa, e até mesmo no Brasil, há várias casas e festivais que buscam um repertório erudito e popular”, registra Santana. O flerte com a Europa, por sinal, já não é de hoje. Em julho passado, o Coladera foi uma das atrações do Montreux Jazz Festival, na Suíça, palco sagrado da música mundial.

O músico destaca que o convite feito por Felipe Vasconcelos, maestro da Orquestra de Câmara Sesiminas, é pontual, parte de uma série de concertos que buscam aproximar o erudito da música popular, mas que o desejo do Coladera é tornar esta experiência corriqueira. “Como já temos os arranjos e gravaremos a apresentação, existe a possibilidade de repetir com outras orquestras”.

Para Santana, até a maneira de tocar com uma orquestra é diferente, requerendo maior atenção do músico. “Você não pode fazer qualquer andamento, tem que estar junto para que tudo se encaixe perfeitamente”, analisa. Ele ainda se surpreende com a sonoridade que a música da dupla luso-mineira ganhou com a parceria da orquestra. 

“É uma terceira coisa. Já ouvi alguns discos de artistas populares com orquestra e a gente percebe que o erudito tenta se colar à sonoridade do artista. Aqui o diálogo é mais profundo. É muito original e instigante para nós. Um bom exemplo disso está no início, uma espécie de prelúdio que junta duas músicas do Coladera, depois reconstruídas a partir de outras formas”, observa.

Novo álbum começa a ser preparado em 2020

A apresentação com a Orquestra de Câmera Sesiminas é um marco num ano que foi um divisor de águas para o duo. Além de participar do Montreux Jazz Festival, o Coladera fez turnê por alguns países da Europa, como Alemanha, Dinamarca e Holanda.

O grupo também vive grande expectativa em torno da apresentação na Feira Circularte, na Colômbia, que acontecerá em novembro. Para Vitor Santana, poderá representar uma abertura de portas no mercado latino-americano.

Para 2020, o músico adianta que já estão agendados shows em maio na Alemanha e na Holanda, e também em Portugal (julho). O próximo ano também deverá marcar o início da produção do terceiro álbum do Coladera, cujo lançamento está previsto para 2021.

“Algumas músicas já estão nascendo, sendo gravadas no celular e na mão de parceiros”, adianta Santana, que não abrirá mão da mescla de ritmos que forjou o Coladera, passeando por candomblé, fado, flamenco, samba, rumba e mambo.