Quando o filme “Resgate” chegar aos 34 minutos de duração, aperte a tecla pause e puxe o fôlego: serão 12 minutos de um plano-sequência de ação frenética, em que a câmera se movimenta sem parar. Não é fácil encontrar os pontos de corte em meio a perseguições de carro, lutas corporais e sobe-e-desce de prédios. Para quem gosta do gênero, é uma das principais razões para se assistir ao novo trabalho de Chris Hemsworth, já disponível na Netflix.

Acostumado a atuar à frente de um fundo verde (em que são inseridos os efeitos especiais na pós-produção) nos filmes de Thor, o dono do papel do filho do deus Odin participa de cenas de combate muito bem coreografadas, especialmente durante o plano-sequência, que começa com uma intensa perseguição de carros que chama a atenção, principalmente, pelo fato de a câmera entrar e sair do veículo várias vezes, buscando ângulos diferentes.

Nas cenas de luta, é mais fácil perceber os pontos de corte, como ao se encher a tela com a imagem do colete preto dos policiais, mas outras nos impressionam pela maneira como a câmera se torna um personagem, caindo de uma altura de dois andares ou saltando entre dois prédios para acompanhar o mercenário Tyler Rake (Hemsworth) e um garoto indiano que havia sido sequestrado por mafiosos de Bangladesh.

Resgate

Exército de um homem só

“Resgate” faz parte daquele subgênero muito comum nos anos 80, em fitas protagonizadas por Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger. Como um típico Rambo, Rake se transforma no “exército de um homem só”, liquidando quem atravessar seu caminho. As cenas são fortes, violentas e, diferentemente da série “Rambo” ou de “Comando para Matar”, os planos são mais fechados e realistas, em que se vê o rosto dos atores na maior parte do tempo.

Não é por acaso que o diretor Sam Hargrave, estreante em longas-metragens, é um experiente dublê de Hollywood, tendo participado de vários filmes de super-heróis, entre eles os dois últimos “Vingadores” – assinados pelos irmãos Anthony e Joe Russo, que produzem “Resgate”. A partir da graphic novel “Ciudad”, Hargrave promove um bom diálogo entre ação e narrativa, passando para o espectador – como nas obras de guerra – a ânsia de sair o mais rápido possível daquele pesadelo.

Resgate

Elemento de hostilidade

Ainda que a ideia de um mercenário atormentado pelo passado não seja exatamente uma novidade, essa atmosfera de constante aflição em torno do desconhecido, em que Rake reage basicamente com seus instintos militares, faz da cidade – como deixa claro o título da publicação em que a história se inspirou – um personagem à parte, um elemento de hostilidade que conseguimos identificar, tocando levemente em questões como milícias e miséria como motor para a violência.