Intensos e transformadores foram os adjetivos escolhidos pelo artista carioca Guerreiro do Divino Amor para definir a experiência dos últimos seis meses. Passando uma longa temporada na capital pela primeira vez, o artista foi um dos 10 selecionados na 7ª edição do programa Bolsa Pampulha. 

O resultado de toda a empreitada, que promoveu a troca de conhecimentos e vivências entre participantes de cinco estados e uma equipe formadora, será apresentado em uma exposição no Museu de Arte da Pampulha – que fica em cartaz de sábado a 17 de novembro. 

Embora seja composto pelas obras de cada um dos artistas participantes – que se desdobram entre instalações, fotografias, vídeos e objetos – a mostra vai além da produção registrada durante os seis meses de trabalho. 

“Essa é uma mostra dos processos deles. O resultado da residência se alastra mais para a frente, porque eles viveram muitas coisas ao longo do projeto, principalmente os artistas que não são daqui, porque ficaram na cidade durante seis meses, conheceram outros artistas e dividiram a mesma casa, destaca Francisca Caporali, diretora do JA.CA -–Centro de Arte e Tecnologia, organização que conduziu o projeto ao lado da Prefeitura de Belo Horizonte e da Fundação Municipal de Minas Gerais. 

Prova dos desdobramentos da temporada na capital podem ser vistos no próprio trabalho do artista carioca e que foi ampliado pela influência do cenário belo-horizontino. “Eu estava trabalhando com Brasília (como tema) e dizem que, sem a Pampulha, a capital do país não existiria. A partir disso meu trabalho foi tomando outros rumos”, conta. 

“Contaminado” pelo cenário de um dos cartões postais de Belo Horizonte, o carioca adicionou um capítulo mineiro ao projeto “Altas Superficcional do Mundo”, pesquisa que desenvolveu há 15 anos e que trouxe para o Bolsa Pampulha. 

“O capítulo ‘O Mundo Mineral’ trata dessa coisa de Minas Gerais como um centro do poder no Brasil e esse imaginário da mineiridade, que tem algo doce e ao mesmo tempo cruel”, diz o artista.

Continuidade
O encanto pela mineiridade não termina com o fim da Bolsa. Ele garante que pretende se debruçar nas questões do Estado por pelo menos um ano e meio. “Minas é muito complexa. Considero esse trabalho que apresento como um esboço. Vou ficar mais tempo voltando aqui e também percorrendo outras cidades porque fiquei fascinado”, confessa.