A expressão “comer com os olhos” ganhou novo sentido no tradicional restaurante Casa dos Contos. Como destaca a curadora Fátima Mirandda, o cliente não precisará ficar “olhando para a parede” enquanto aguarda ou degusta uma das várias opções dos cardápio. Aliás, continuará fixando sua atenção nas paredes, mas elas estarão preenchidas por obras de arte.
 
“É muito melhor você observar uma peça de arte do que olhar para uma parede em branco ou para os lados, não é?”, indaga Fátima, há quatro anos na função de selecionar artistas para o menu cultural da Casa dos Contos, que expõe uma média de 20 quadros no espaço. Essa combinação pode parecer “indigesta” para os marchand, mas vem caindo bem no gosto do público.
 
Para o apreciador de arte de gosto extravagante, que não se importa em substituir a tradicional galeria por espaços inusitados, originalmente pensados para atrair outro tipo de freguesia, Belo Horizonte e região contam com opções que vão de um restaurante na Savassi a ônibus que circulam pelas ruas de Contagem.
 
“É uma forma de promover novos artistas, que não têm oportunidade nas galerias de arte. Para você ter um trabalho exposto nesses lugares, precisa conhecer alguém, o famoso ‘quem indica’”, observa Fátima, que ainda destaca o lado “popular” desse tipo de iniciativa, já que as galerias ainda carregam o estigma de serem lugares refinados.
 
“As pessoas têm uma vida corrida, sem tempo para ir a uma galeria. Essa coisa de ir a um vernissage não está em nossa cultura. Por isso, é mais fácil para o público tomar esse contato enquanto faz coisas cotidianas, como almoçar. É uma maneira de as exposições irem até as pessoas”, analisa a curadora.
 
À venda
A questão não se resume ao olhar. Se durante o almoço ou jantar o quadro acrescentou outros paladares ao cliente, ele terá a chance de comprá-lo. Os preços estão bem visíveis e, segundo Fátima, a casa não ganha nenhuma porcentagem sobre a venda. “Ganhamos a divulgação do espaço, transformando o restaurante num espaço cultural”.
 
Formado por quatro fotógrafos, o Grupo Moon expõe na choperia Koala San, no Jardim Canadá, até 10 de janeiro
 
Além da possibilidade de expor seu trabalho, o artista também não precisa se preocupar com coquetel e convites. Tudo é feito sem custos, sob orientação de Fátima. Muitas vezes uma aquisição não acontece na hora do prazer gastronômico. Já aconteceu, por exemplo, de um cliente voltar para o hotel e ligar para a curadora, querendo um dos quadros.
 
Há casos curiosos como de uma mesma tela chamar a atenção de vários clientes/compradores. “Até parece brincadeira, mas não foram poucas as vezes em que me ligaram pedindo um quadro e ele já estar vendido. De 20 quadros em exposição, tem hora que todo mundo quer o mesmo. Que raiva!”, diverte-se.
 
Mural Templuz já expôs mais de 40 trabalhos
 
O motorista descia a Avenida Nossa Senhora do Carmo, como de hábito, quando um enorme quadro ao ar livre lhe chamou a atenção. Ele só se deu conta do impacto da obra quando esse choque se transformou em algo físico: uma colisão no carro da frente, sem perceber que o trânsito havia parado.
 
“Depois de fazer a perícia e perder o compromisso, ele deu a volta e foi até loja, perguntando à recepcionista de quem era aquela imagem, onde uma criança brincava com pombos”, registra Camilo Belchior, idealizador do projeto que ocupa, há cinco anos, a lateral da Templuz, dedicada à tecnologia residencial.
 
Essa história começou em setembro de 2011 quando Camilo foi chamado para desenvolver ações de estratégia para a loja. “Quando ia para lá, via aquela parede enorme que ficava de frente para quem estava descendo a rua, estrategicamente posicionada”, lembra.
 
Ele viu naquele espaço o que, no meio publicitário, é chamado de empena, em que as laterais de prédios são usadas como outdoors. “Uma loja não deve se preocupar apenas com a sua parte interna. Ela faz parte do conjunto arquitetônico de uma região”. 
 
Possibilidades infinitas
Camilo lembra uma estimativa da BHTrans, feita em 2012, sobre a circulação de cerca de 80 mil carros na Avenida Nossa Senhora do Carmo, diariamente. Apesar do tráfego intenso, ele constatou que, visualmente, o corredor é muito pobre, sem árvores e estruturas arquitetônicas elaboradas.
 
“Tivemos a ideia de exibir arte naquele paredão com a função de tentar trazer, pelo menos para aquele espaço onde a Templuz está situada, uma quebra da monotonia, ago que ajudasse esteticamente a modificar o ambiente, criando um espaço mais prazeroso de ser visualizado”, diz.
 
Fachada digital do Espaço do Conhecimento da UFMG, na Praça da Liberdade, exibe fotos, videoclipes e documentários. Até dia 18, às 19h30, há sessões da Mostra de Animação Mumia
 
Mais de 40 trabalhos já foram expostos no mural, que conta com seis metros de altura. Na quinta-feira da semana passada uma releitura abstrata e hipercolorida do quadro “As Meninas”, de Velázquez, passou a ocupar o local, permanecendo em cartaz durante todo o mês de dezembro.
 
Um dos próximos passos, sonha Camilo, é fazer do espaço um painel digital. “Talvez seja interessante ter um painel dedicado única e exclusivamente à arte e ao designer. Vemos muitos deles dedicados à publicidade, mas esses painéis têm possibilidades infinitas, possibilitando a exibição de filmes, animações vinhetas”.
 
N/A

Elizabeth Faustina expõe 20 fotos de pontos marcantes de Contagem

 
Fotografias ‘rodam’ em ônibus que servem à região de Vargem das Flores, em Contagem
 
Com as facilidades oferecidas pelo celular, o olhar do usuário de ônibus geralmente fica concentrado no aparelho que está em sua mão, raramente observando o que está passando por sua janela.
 
Criada pela fotógrafa Elizabeth Faustina, exposição “Na Linha dos Olhos” não só obriga o passageiro a olhar para o que está lá fora como também mostra que o itinerário pode exibir paisagens lindas.
 
A melhor maneira de chamar a atenção desse usuário foi instalar as 20 fotografias nos próprios ônibus que servem a sua região, em Vargem das Flores, Contagem.
 
“As fotos, em formato de 120cm x 80cm, estão na parte traseira dos ônibus. Mesmo estando cheios, na hora que a pessoa descer, ela não terá como não ver”, destaca Elizabeth, que recebeu recursos do Fundo Municipal de Incentivo à Cultura da Prefeitura de Contagem.
 
“O caminho é longo, pois a região é afastada do centro de Contagem, passando por pontos marcantes da história da cidade, como a represa e a Cidade Industrial. Foi o que busquei registrar”, salienta a fotógrafa.
 
A exposição, “em rodagem” desde novembro, poderá ser vista até fevereiro, devendo chegar a números impressionantes de público: a quantidade estimada de passageiros/dia é de 9.850 usuários.