É com um formato incomum, que dispensa um olhar curatorial, que a Mostra-LAB, se mantém e chega hoje à sua sétima edição no Espaço Aberto Pierrot Lunar. Neste ano, ela reúne no espaço produções relacionadas ao mundo do teatro: 45 experimentações curtas, 12 bate papos, e 45 cenas, três delas internacionais.

Coordenador geral do projeto, Igor Ayres explica que é justamente na ausência de uma curadoria que se constrói a identidade da iniciativa. “Temos esse caráter democrático. Costumamos dizer que a curadoria é o interesse das pessoas de participarem da mostra. Isso acaba estimulando uma troca de contato entre artistas diferentes, pessoas que estão começando ou aquelas que já são consagradas”.

Ao contrário do que o formato livre possa sugerir, os espetáculos acabam refletindo temáticas semelhantes, mesmo que não passem por uma filtragem específica. “É debatido aquilo que está em voga na sociedade. Nas últimas edições tivemos discussões sobre gênero, racismo, sexualidade”, sublinha Ayres. Ele acredita ainda que o caráter aberto do projeto estimula estes tópicos. “O teatro muitas vezes é político e é uma boa forma de refletir sobre esses temas”.

Outro fator importante é o olhar atento à produção local e aos artistas. “Colocamos a experimentação acima dos resultados, até por não termos um caráter competitivo. Os artistas estão livres para falarem o que querem e verem como o público reage”, destaca. Para Ayres, esse espaço aberto à experimentação é um território fértil para a formação de novos artistas, coletivos e grupos. “É um lugar para artistas que estão aprendendo, que ainda não tem muita noção dessa vida, daquilo que tem que ser feito além do artístico”, pontua. 

Para além da formação de novos artistas, o espaço dado às cenas ainda permite que as próprias apresentações ganhem novos contornos e rumos. “Muitos trabalhos continuam como cenas curtas, mas outros se transformam em espetáculos”, ressalta ele, citando como exemplo a peça “Rosa Choque” do coletivo Os Conectores, que passou pela mostra quando ainda tinha a duração de 15 minutos. 

Programação

Pela segunda vez tendo apoio de uma lei de incentivo – e com a boa notícia de que a próxima edição seguirá o mesmo caminho – a Mostra-LAB de 2018 traz novidades. 

“Temos três cenas internacionais, duas da Argentina e uma do País Basco”, adianta Ayres. Além da internacionalização do projeto, a mostra ainda traz pela primeira vez a tradução simultânea das cenas curtas em libras. 

Outro destaque na agenda do evento são os laboratórios, que ocorrem nas duas semanas de duração da Mostra-LAB, o primeiro deles sob a direção da atriz Nina Caetano e o segundo, onde é discutido o espaço da tecnologia nas artes cênicas, com o músico Barulhista. “Eles são uma espécie de oficina, onde buscamos o diálogo, e a troca de experiências”, afirma. 

Serviço: Mostra-LAB, de hoje a 12 de agosto, no Espaço Aberto Pierrot Lunar (rua Ipiranga, 137 – Floresta). Ingressos: R$ 10 (inteira), R$ 5 (meia). Programação completa em: fb.com/amostra.lab