A vinda para Belo Horizonte foi de ônibus. E todos integrantes da equipe, sem exceção, passaram pelo teste de Covid. Tudo isso para garantir o máximo de segurança na estreia do show de Roberta Sá, “Pra Nunca se Acabar”, que será realizado hoje (27) no Cine Theatro Brasil. É a primeira apresentação presencial solo da cantora potiguar desde o início da pandemia.

“Fiz uma participação especial na Jazz Sinfônica, em São Paulo, no mês passado, mas não era um show inteiro meu, tendo cantado quatro ou cinco músicas. Em BH, será muito especial. A sensação é um misto de muita animação e emoção em poder performar ao vivo”,  afirma Roberta, que também terá a apresentação transmitida por plataforma digital.

O espetáculo deve muito aos chineses. Foi a partir de um convite da Semana de Língua Portuguesa, ocorrida em Macau, no mês passado, em forma virtual, que Roberta Sá “gestacionou” o novo trabalho no palco. Após gravar o vídeo com a violonista Samara Líbano e com a flautista Aline Gonçalves, a artista quis dar continuidade a esse encontro de mulheres.

Agora com o acréscimo de Geiza Carvalho na percussão, a cantora registra que a reunião é fruto de uma proposta. “Sempre toquei com uma banda totalmente masculina e nunca ninguém me perguntou porque eu tinha escolhido só homens para tocar. O que mudou foi essa chave na minha cabeça, de sempre chamar primeiro os homens”.

Ela assinala que explicou às três integrantes que elas não foram convidadas simplesmente por serem mulheres, mas sim porque são excelentes musicistas com quem adoraria trabalhar. "Elas têm muito para contribuir com a minha música. Por que chamar só homens se há mulheres que podem contribuir lindamente para a composição de um show/”, salienta.

Ela costuma brincar com a banda que “precisam tocar direito porque tem crianças assistindo”. Não é uma mera força de expressão. “As crianças precisam ver as mulheres ocupando esses lugares. Não só da cantora que está no centro, por ser diva. É importante ocupar todos os lugares para que possam fazer suas escolhas e ter como exemplo grandes mulheres”.

Roberta está participando, pela primeira vez, de uma disputa de samba-enredo pela Vila Isabel, escola do grupo principal do Carnaval fluminense. “Na verdade, foi um convite. Como o tema é (o cantor) Martinho da Vila, que sinto bastante confortável para falar, eu aceitei. Eu estou muito no começo ainda e aceitei para aprender”, explica.

Prestes a completar 40 anos, em 19 de dezembro, ela pretende continuar a experimentar gêneros e temas, marca registrada de seu trabalho até agora. “Quero continuar experimentando e evoluindo. Vim neste mundo para andar para frente e olhar para trás com amor e respeito pela minha história e de todos aqueles que passaram por minha vida”..