A MPB e a música erudita podem andar de mãos dadas. Podem se tocar, embora os estilos musicais sejam distintos. E a orquestra sinfônica tem o papel de encurtar esse caminho, combinando, conforme o tipo de concerto, essas melodias. Mesmo porque, como não considerar a obra de Tom Jobim “clássica”?

O maestro Roberto Tibiriçá, 60 anos, é um dos que professa essa tese – e pratica em diversos trabalhos como regente e diretor artístico da “Sinfônica Pop” e do projeto “Artista Brasileiro”. “Porque sou maestro eclético, que navega em várias áreas. E acho que quando a música é boa, de grandes artistas, tudo é válido. Como não pensar na época de Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Dolores Duran, Lupicínio Rodrigues, uma época de ouro. Depois, Chico Buarque... São letras e musicalmente, a melodia, a harmonia, é tudo muito pensado”, defende o maestro, que critica os modismos musicais como “Lepo Lepo” e congêneres.

É com essa verve que Tibiriçá vai abordar a relação da MPB com a música erudita em sua passagem por Belo Horizonte para participar hoje do projeto “Retratos de Artista: Molduras do Pensamento”, a partir das 19h30, no Café 104 (Praça da Estação, Centro), com entrada franca. A conversa será mediada pelo jornalista João Luiz Sampaio, do jornal “O Estado de S. Paulo”. Já passaram por esse bate-papo figuras como Jorge Mautner, Paulo César Pinheiro e Hermeto Pascoal.

Renovando o público Para Tibiriçá, é também uma forma de atrair um público novo e jovem aos concertos. “Por que não trazer esses clássicos para a Sinfônica, cujo maior papel é o da formação de plateias? Tempos atrás nos concertos só se via cabelos brancos, é preciso atrair o jovem”, diz, exemplificando que há clássicos que ficaram na memória, na MPB, no tango, em qualquer estilo.

Mas ele avisa aos mais apressados que tudo tem sua dosagem certa. Nem mais, nem menos. “Tem momento para tudo, não fico ouvindo em casa Beethoven o dia inteiro. Tenho que me reciclar. Numa programação sinfônica de concertos populares ao ar livre, por que não convidar um artista popular? Já trabalhei com Frejat, Daniela Mercury”, lembra.

Sobre suas atividades atuais, o maestro brinca: “atualmente sou ministro sem pasta, um maestro sem orquestra. Sou amante da música. Este é um ano de Copa e eleições, vou esperar o cenário político, já que 95% das orquestras são ligadas ao governo federal, estadual e municipal. Depois, vou tomar a decisão, já tenho algumas propostas”, diz Tibiriçá que, no ano passado, atuou como convidado de orquestras no país e exterior.