Se no debute solo, “Etnografia Suburbana” (2019), Roger Deff concebeu oito afiadas crônicas denunciando as mazelas da sociedade, neste início de maio ele escreve um novo capítulo de sua “etnografia”. Desta vez, o rapper belo-horizontino uniu forças com o Barulhista para, juntos, darem luz ao single “Reflexões do Isolamento”.

Em pouco mais de três minutos, o mais novo e pungente som, já disponibilizado no YouTube, dialoga com o momento atual, por meio de uma crítica inteligente e visceral, notória em versos como: “Onde a dor do outro é nada mais que banal, trivial/ Pra quem a empatia ausente, sua falta de luxo recente/ É deprimente/ O vazio existente/ De quem não entende que somos um neste plano presente/ Compartilhando a mesma atmosfera”.

A gravação da música reforça o conceito. “Falei do tema com ele (Barulhista), que produziu um ‘beat’, com a identidade dele, e me mandou. Aí, gravei aqui em casa. A coisa toda partiu de celular mesmo, para fortalecer essa ideia do isolamento físico que precisamos ter. Não havia sentido procurar um estúdio neste momento”, relata Deff, admitindo que a música corria o risco de não ser lançada em maio.

Roger Deff

“Se a gravação não desse certo, com o tipo de captação que tenho disponível, deixaria para outro momento. Já tinha um tempo que queria fazer uma parceria com o Barulhista. Nos encontramos na Mostra de Cinema de Tiradentes, o que reforçou essa vontade. A oportunidade surgiu justamente durante o isolamento social”, completa.

“Reflexões do Isolamento” também ganhará um videoclipe. “Está sendo feito com imagens captadas por celular, de pessoas em suas casas. Quem fará o videoclipe é o Marco Antônio, da 7 e Meio Filmes, mesma produtora do clipe de ‘Etnografia Suburbana’”, ressalta.

Barulhista

Tem mais

Embora não revele detalhes dos próximos passos deste ano, o cantor adiantou que novas alianças estão por vir. “Talvez eu lance algumas coisas neste ano. Vou trabalhar com coisas que tenham curto prazo, casos dos singles. E fazer parcerias com muita gente, coisas bem diferentes. Então, este é um ano para produzir se singles”, diz.

Haverá ainda a possibilidade de engendrar o prólogo de seu segundo álbum, por enquanto previsto para 2021. “Provavelmente lançarei algum single ligado ao disco que pretendo lançar. (O novo álbum) vai ser orgânico, como foi com o ‘Etnografia’, com a mesma banda. A ideia era gravá-lo e lançá-lo para o ano que vem. Se chamaria ‘Alegoria da Paisagem’. Mas não dá para afirmar nada porque tudo fica em xeque neste momento”, afirma.

Roger Deff