A abertura da participação brasileira na Feira do Livro de Frankfurt na tarde desta terça-feira (8) foi marcada por um discurso forte do escritor Luiz Ruffato, no qual ele defendeu que o país nasceu sob a égide do genocídio, que a chamada democracia racial do país foi feita com estupros e que no Brasil reinam a impunidade e a intolerância.

A fala do romancista, feita na sala principal do evento alemão, diante de duas mil pessoas, entre eles lideranças políticas alemãs e o vice-presidente da República, Michel Temer, ressaltou ainda os 37 mil assassinatos anuais do país, os 550 mil presos e a alta taxa de analfabetismo.

Antes de concluir, Ruffato disse que nos últimos anos o país vem vivendo alguns avanços e salientou o "poder transformador da literatura", exemplificando com sua trajetória: ele disse que é filho de uma lavadeira analfabeta e de um pipoqueiro semianalfabeto.

Seu discurso, de cerca de dez minutos, foi ovacionado e aplaudido de pé por alguns dos presentes, entre eles o diretor do Sesc-SP Danilo Santos Miranda e escritores brasileiros, como o romancista Paulo Lins e o poeta Age de Carvalho.

No encerramento das cerimônias, depois do discurso de políticos como o Ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Guido Westerwelle, que elogiou a fala de Ruffato e pediu lugar permanente para o Brasil no Conselho de Segurança da ONU, o vice-presidente Michel Temer fez um discurso que foi concluído com vaias.

Começou chamando a ministra da Cultura, Marta Suplicy, de "ministra da Educação" e fez declarações elogiosas a sua participação na constituinte, que resultou na Constituição de 1988.

Em seguida falou de sua relação com a literatura. "Jamais abandonei a literatura. As leituras aguçaram meu raciocínio. Graças a isso cheguei a este palco", disse, antes de fazer propaganda de seus próprios poemas, publicados recentemente no livro "Anonima Intimidade" (Topbooks). "Não recebi elogios, mas também não recebi críticas."