Ao retornar animado das compras para a ceia de Natal, o pai é avisado pelos filhos e netos de que esses não poderão celebrar a data com ele. A cena se repete nos anos seguintes.

Até que, um dia, cada familiar é informado da morte do patriarca. Quando chegam para os preparativos do enterro, porém, encontram o pai mais saudável do que nunca. “De que outra maneira eu conseguiria juntar todos vocês aqui?”, justifica o idoso. O vídeo de uma rede de supermercados alemã, de pouco mais de dois minutos, é uma das sensações do YouTube nas últimas semanas, chamando a atenção para a necessidade de encontrarmos tempo para ver nossos entes queridos, especialmente numa data como o Natal, em que devemos compartilhar o perdão e o amor. No cinema, há várias histórias semelhantes sobre pais e avós esquecidos.



Situação que não está muito distante da realidade. As casas de repouso se proliferam nos últimos anos na capital mineira, devido ao crescimento da população idosa e também pela falta de disponibilidade dos responsáveis. “Quando eles saem de casa, perdem um pouco as referências, sendo introduzidos em outro contexto. Buscamos facilitar essa adaptação e a presença dos familiares é fundamental”, salienta Filipe Cosso, que administra a casa Longevidade, no Gutierrez.

Em grande parte dos filmes, esse reencontro é provocado, tal como no comercial que viralizou na internet. Na maioria das vezes, a relação entre pais e filhos é conflituosa, como em “Meu Pai, um Estranho” (1970), longa indicado a três Oscar em que Gene Hackman tem que mudar seus planos de vida – casar e se mudar para outro Estado – para cuidar do pai controlador, vivido por Melvyn Douglas.
 
Entendimento
 
Executivo independente, o personagem de Ted Danson em “Meu Pai, uma Lição de Vida” (1989) também passa a narrativa inteira tentando se entender com o pai (Jack Lemmon). Aliás, o espectador de “Gran Torino” (2008) irá concordar com o afastamento dos parentes de Kowalski, um senhor turrão e mal-educado, que não esconde o seu preconceito em relação aos imigrantes. Aos poucos, porém, vamos encontrando outros matizes nesse homem, graças à boa atuação de Clint Eastwood, que também assina a direção.
 
Outros filmes que retratam a relação de parentes
 
"MEU PAI, UM ESTRANHO”
Prestes a se casar e se mudar de cidade, professor universitário precisa adiar seus planos após a morte da mãe, precisando lidar com o pai controlador e também com a irmã, que nunca se deu bem com a família.
 
“MEU PAI, UMA LIÇÃO DE VIDA”
Com a mãe hospitalizada, o sempre ocupado e pouco amistosos executivo John tem que cuidar do pai, tendo que ensiná-lo a reconquistar a sua independência. Com isso, também aprenderá a ser amável com as pessoas que o cercam.
 
“PARENTE É SERPENTE”
Família tipicamente italiana se reúne na ceia de Natal, com o clima festivo gradualmente dando lugar aos problemas dos filhos, que se acentuam quando os pais anunciam que irão morar na casa de um deles.
 
“ESTÃO TODOS BEM”
Na refilmagem americana do filme de Giuseppe Tornatore, um viúvo aguarda a chegada dos quatro filhos para um churrasco em família. Como todos eles desmarcam o compromisso, o pai resolve visitar cada um, tomando contato com seus problemas.
 
“A FAMÍLIA SAVAGE”

Familia Savage
Irmãos sempre buscaram escapar do jeito dominador do pai, mas quando recebem a notícia de que ele está sendo consumido pela demência, não terão outra saída do que voltarem a morar juntos, lidando com as excentricidades um do outro.
 
“GRAN TORINO”
De parentes a vizinhos, são poucos os que escapam da fúria irascível de Walt Kowalski, que é um solitário por convicção. Isso até que sua rudeza e arrogância é testada por uma família de coreanos que se muda para a casa ao lado.
 
“MINHAS TARDES COM MARGUERITTE”

Minhas tardes com Margueritte
Senhora de 90 anos trava amizade com um homem rude (Gerard Depardieu). Certo dia, ele fica sabendo que o sobrinho de sua amiga, responsável por ela, tomou uma atitude um tanto quanto fria.