Num instante em que a ciência no país se encontra numa via crúcis, após a drástica redução de investimentos em pesquisa e desenvolvimento, a série “Cientistas Brasileiros Entre os Melhores” nos enche de orgulho e esperança ao mostrar grandes descobertas que estão saindo dos laboratórios, principalmente dos mineiros.

“Após a tragédia de Mariana, a cidade ficou sem água. O doutor Rochel Lago, da UFMG, criou um sistema de purificação de água suja de forma muito rápida. Além disso, ele está criando uma tecnologia em que o óleo de cozinha usado vira combustível, reciclando energia”, registra Cláudia Santos, criadora da série.

Exibido na TV Cultura e disponível na plataforma da Looke, o programa concorre, na categoria de melhor série documental para TV paga, ao Grande Prêmio do Cinema Brasileiro no próximo domingo. São 13 episódios, cada um dedicado a um cientista, com uma forte presença de mineiros.

Produção mineira concorre com “Amarelo Prisma” (GNT) e “Anitta: Made in Honório” (Netflix) no Grande Prêmio

O interesse de Cláudia pela ciência não surgiu por acaso. Entre suas andanças no exterior, após se formar em Broadcasting (televisão) e trabalhar para Discovery Channel, Eurovision e produtores independentes, ela foi parar em Cornell, o maior centro de pesquisa científica dos Estados Unidos e do mundo, localizado na cidade de Ithaca, em Nova York.

“É uma cidade no meio do mato, onde faz 15 graus negativos. Foi lá que descobri a quantidade de cientista brasileiro nos mais variados setores. Está todo mundo lá. Para se ter uma ideia, o rover enviado à Marte foi concebido por uma equipe cheia de brasileiros. De Minas Gerais, então, era muita gente em Cornell”, lembra.

Entre os entrevistados está Humberto Corrêa, criador de uma pílula, em fase de testes, que inibe o impulso de se matar

"A minha ideia não era fazer algo para cientista. Queria que uma pessoa comum pudesse ver e entender, para que a ciência possa ser mais valorizada”, afirma Cláudia, que se valeu de um pouco de ficção para chamar a atenção para os inventos. Um deles é a vacina contra o crack, desenvolvida por Frederico Garcia, também da UFMG.

“Esse episódio é meio chocante, com as pessoas dizendo que ficaram sem dormir. O que fazemos é criar uma história para ilustrar a ciência real”, explica. Ela conta que partiu de uma lista de 500 cientistas, mas, por uma questão de logística, acabou se fixando nos pesquisadores da universidade mineira.

A produtora pretende continuar investindo no segmento. “Sou a única showrunner especializada em ciência no Brasil”, avisa. Nesse momento, ela produz “Fala Sério”, uma série de ficção para jovens que está sendo filmada em Belo Horizonte e que será exibida na TV Cultura.