Formada hoje por pai e dois filhos, a banda de heavy metal Sagrado Inferno lança em agosto o primeiro álbum – o que pode soar estranho em se tratando de um grupo nascido em 1983 e que se considera o primeiro da cena de metal em Minas. Mas a história do conjunto ajuda a explicar por que ele influencia toda uma geração, desde os tempos em que reunia cinco amigos dos bairros Santa Tereza e Sagrada Família. Junto a nomes como Overdose, Witchhammer, Chakal, Mutilator e o grande expoente do estilo no mundo, Sepultura, fizeram parte do nascimento do gênero no Brasil.

“Éramos vizinhos do Iggor e do Max Cavalera, que tinham por volta de 13 anos. Nós, 15, 16. Eles não tinham todos os instrumentos, então pegavam equipamentos e aparelhagem nossa para ensaiar”, lembra Marcos Rodrigues, o Marquinho, à época baixista da formação original. 

As duas bandas se apresentaram juntas nos primeiros anos em algumas ocasiões, como no Festival Metal BH. Também tocaram no salão paroquial do Sagrada Família, local bastante inusitado para adolescentes de cabelos compridos, maquiados e com roupas pretas características.

“Chamamos a vizinhança, tocamos no chão mesmo porque não havia palco e colocamos umas cadeiras para o pessoal, inclusive algumas senhoras”, diz Marquinho. “Eles ficaram sentados. Bateram palma, porque nos conheciam, mas acho que não estavam entendo muito o que acontecia”, conta. O irmão dele, Dilsinho, era um dos guitarristas.

Inspirados pelo movimento metaleiro que se consolidava desde o fim dos anos 70, os amigos se reuniam em quartos com toca-discos para ouvir o vinil de bandas como Metallica, Slayer e Iron Maiden, que só chegavam ao Brasil dois anos após o lançamento.

A banda Sagrado Inferno só gravou uma demo com três músicas, na época, conciliando a paixão pelo metal com os estudos. Os outros três integrantes eram o vocalista Rogério, o baterista Ronaldo e o outro guitarrista, Silvinho.

Mas uma tragédia acabou desnorteando o conjunto. Silvinho morreu em 1987, aos 19 anos, ao encostar em um cabo de alta tensão junto a uma janela em Marataízes (ES), onde foi tocar com um projeto paralelo de banda hardcore. “Ele era o centro das coisas no Sagrado Inferno, um dos fundadores. Com a morte dele, houve um distanciamento dos integrantes da banda”, lembra Marquinho. 

Após o incidente, cada um tomou um rumo. Todos fizeram faculdade, o vocalista se mudou para São Paulo, onde trabalha no setor bancário, e
Marquinho foi em 1992 para Santa Bárbara, a 105 km de BH. Professor de História, voltou a tocar a partir de 2013, com os dois herdeiros. O baixo foi herdado pelo caçula, Lucas, hoje com 19 anos. Marquinho, aos 50, passou para a bateria, e o filho Marcos Rodrigues Jr., de 23, adotou o nome artístico Markin’ como vocalista e guitarrista.

Markin’ conta que desde que voltaram a se apresentar em shows underground em BH e no interior de Minas a aceitação do público os motivou a seguir. “BH é conhecida como a capital do metal no Brasil, e isso só aconteceu com o surgimento do Sagrado Inferno, sem o qual não teria surgido Sepultura, Overdose, Sarcófago”, diz. 

O destino trouxe o passado à tona. Após ver o anúncio de um show da banda, uma moça chamada Layla se apresentou como filha de Silvinho, o integrante que morreu no Espírito Santo. Passou a ir aos shows e a contribuir com arquivos do pai junto com o avô, para enriquecer a memória do grupo. Acabou namorando Markin’. 

O álbum “Bíblia do Diabo” deve ser lançado no mês que vem em CD e também sairá nas plataformas digitais, com novas músicas e a regravação das três que compuseram a única demo da banda: “Sagrado Inferno”, “Vida Macabra” e “Perseguição”.

Dia Mundial do Rock tem programação especial 

O fim de semana promete não deixar os fãs do rock órfãos em BH. A programação especial começa hoje à noite, com Raimundos fechando a line up que leva ainda as bandas Poison Gas e Seu Madruga (cover de AC/DC) ao Bud Basement, em evento organizado pelo Circuito do Rock. 

O Raimundos celebra os 25 anos do lançamento do primeiro disco com o retorno de Fred Raimundo, um dos integrantes da formação original, embalando sucessos como “I Saw You Saying”, “Eu Quero Ver o Oco”, “Mulher de Fases”, “A mais pedida” e “Puteiro em João Pessoa”.

No sábado, a comemoração começa cedo. O bar do Museu Clube da Esquina inaugura a programação do dia às 15h, com a banda Lennon’s Band, embalando clássicos dos Beatles. Em seguida a Acústicos e Etílicos traz um repertório de pop rock nacional e internacional. Às 20h, é a vez de o interior do museu abrigar os shows de Bianca Luar, Gui Praxedes e Cléo Araujo.
 

O Dia Mundial do Rock é comemorado em alusão ao Live Aid, organizado em 13 de julho de 1985


Beatles também será o som do show gratuito da banda Hocus Pocus, no espaço aberto do BeGreen do shopping Boulevard, a partir de 18h. O grupo mineiro, formado em 1980, é a pedida do shopping, que organiza uma homenagem ao Dia Mundial do Rock pelo quarto ano consecutivo.

Os também mineiros do Tianastácia completam o repertório no Bud Basement. Agora sem Maurinho, que se desligou do grupo no mês passado, eles sobem ao palco às 17h, junto com as bandas Singles (cover de Pearl Jam), Metallica Cover Brazil, Lurex (cover de Queen) e Velotrol.