Dá para aprender a fazer rap? Iniciativas de formação, que ensinam técnicas de rima, escrita e discotecagem, provam que sim. É o caso da “Oficina Feminina de Rap”, cuja quinta edição acontece a partir de 6 de abril, nos centros culturais Venda Nova e Urucaia (Barreiro). As inscrições para o projeto, que é gratuito, já estão abertas e podem ser feitas pelo e-mail oficinafemininaderap@gmail.com.

Coordenadora e uma das idealizadoras da oficina, Dayana Paula Rodrigues conta que o projeto surgiu em 2015, a partir das discussões sobre a presença feminina no rap. “Hoje, temos várias artistas mulheres na cena mineira, mas podemos ter mais. Por muito tempo, as ações das mulheres foram invisibilizadas pela presença massiva dos homens”, reflete. 

Na oficina, que tem duração de seis meses e cerca de 30 participantes, são ministradas aulas de literatura, poesia e rima, teoria musical, técnica vocal e danças urbanas. “Particularmente, acho que é possível aprender a parte técnica. Nas aulas de literatura, por exemplo, a professora incentiva as meninas a escreverem temas livres, lerem em público e, depois, musicá-los. No final, acabam compondo um rap”, afirma a coordenadora da atividade, lembrando que a ideia é abarcar os quatro pilares da cultura hip-hop: dança, rima, discotecagem e grafite. 

Para a rapper Tamara Franklin, que participou como convidada da oficina em 2018, compor rap envolve a mistura entre técnica e subjetividade. “Tem um ensinamento de ordem técnica, quando a pessoa se dispõe a aprender sobre métrica, harmonia, flow, rimas. E também uma parte que é muito de cada indivíduo”, pondera. “Acredito que essas oficinas possibilitam ao indivíduo desenvolver e aperfeiçoar a subjetividade de sua poesia. A gente sempre encontra jovens que nem imaginam que têm aptidão para poesia e, a partir da experiência, do diálogo, desenvolvem a escrita”, completa.

Em busca da base

Tamara defende que quem quer aprender a fazer rap deve buscar a fundamentação. “A cultura hip-hop é uma manifestação cultural, que tem um fundamento. É preciso conhecê-lo, saber quem veio antes”, pondera. “Além do mais, é importante buscar o aperfeiçoamento, independentemente do caminho para alcançar o conhecimento. Porque além de uma expressão artística subjetiva, também pode se tornar um ofício”, completa a rapper, que também é arte-educadora e ministra oficinas. 

Tamara ressalta a importância de criar ambientes acolhedores para as mulheres, sem criar outros guetos. “São espaços para mulheres sentirem-se acolhidas, à vontade, o que nem sempre acontece por causa dessa masculinização do rap”, opina. “Mas a ideia não é criar segregação. Até porque o rap é e sempre foi sobre respeito”.