Um dos principais espaços para o fomento da cultura da capital, a Gruta! vem passando por maus bocados e, com a pandemia, corre o risco de fechar suas portas. Em busca da sobrevivência, foi criado o financiamento coletivo “Salve a Gruta”. Já foram angariados mais de 60% dos R$ 14 mil necessários para a manutenção do local. No entanto, restam apenas seis dias para o fim da “vaquinha”.

Gruta

“É uma questão de urgência; temos contas atrasadas, e a negociação com proprietários do imóvel não é tão simples”, conta Marcelo Veronez, músico, ator e um dos gestores da Gruta!.

“Algumas contas de 2019, que não foi um ano bom para a cultura, estão penduradas. Tradicionalmente, a Gruta! não abre em janeiro e fevereiro, pois é época de Carnaval, e acreditamos no Carnaval de rua. E quando chegou março, conseguimos fazer duas festas, mas aí houve a questão da pandemia. Estamos lutando para manter a Gruta! viva em 2020 e início de 2021”, diz.

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Diante deste cenário, o jeito foi recorrer às doações on-line. “Agora que os espaços estão impedidos de funcionar, era a hora em que mais precisávamos de apoio formal do poder público, e não estamos encontrando isso. Não só os espaços culturais, falo no geral. Pequenos empresários não estão tendo acesso a algum tipo de fomento ou incentivo para continuar com seus negócios”, destaca.

História

As origens da Gruta! datam de 2001. Naquele ano, na condição de ocupação artística, o espaço serviu de sede para a montagem do espetáculo “Lírios”, sob a direção de Fernando Mencarelli, para a turma de graduação em teatro da Ufmg. Veronez estava presente na ocasião.

“A Gruta! me formou como artista, cidadão e pessoa ligada a essa cidade. É o principal espaço da minha relação com Belo Horizonte. Por isso, em 2017, assumi com outras pessoas a gestão da Gruta!, que estava perigando fechar. Estou lá até hoje. É emocionante falar da Gruta!, onde vivi muitas coisas intensas nos últimos anos”, comenta.

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Projetos

Com relação a projetos futuros, Veronez afirma que algumas coisas estão saindo do forno, e outras ainda estão em processo de desenvolvimento.

“Estou planejando para 2021 meu segundo disco e algumas aulas com o projeto que tenho de pesquisa sobre as linguagens da música e do teatro combinadas. E estou tentando fazer essa migração (do teatro) para o on-line, mas eu sinceramente não acredito muito nisso. Acredito que teatro é arte do encontro, e não acredito que teatro on-line exista para falar a verdade. Estou aguardando podermos ter novamente presença física para dizer que estou fazendo teatro. E no mais vamos tentar lançar vídeos, música nova...”, conta.