Se o rótulo de casa elitista ainda está atrelado ao Palácio das Artes, nada melhor do que cair no samba para apagar de vez essa imagem. É o que irá acontecer em 2022, quando um dos principais centros culturais da América Latina será tema enredo da escola de samba Canto da Alvorada, a mais vitoriosa dos desfiles de rua de BH.

O enredo “A  saga da cultura nos 50 anos de história dessa casa que é do povo, sempre regada de memórias”, que enfatiza as cinco décadas de funcionamento do Palácio e de sua mantenedora (a Fundação Clóvis Salgado), reforça esse desejo popular. “Nossa proposta é mostrar justamente o contrário (do que falam). Ele é do povo”, afirma a diretora de Carnaval, Maria Elisa Abreu.

A partir de hoje, quando será divulgado, no Grande Teatro do Palácio das Artes, o samba-enredo da escola, os versos já estarão na boca de passistas, bateristas, mestre-salas, porta-bandeiras e integrantes da comissão de frente e da ala das baianas. Os compositores vencedores ainda não foram revelados, mas já se sabe que  não são de BH.

“Foi a primeira vez que recebemos inscrições de outros estados. O que temos percebido é que as pessoas estão apostando muito no Carnaval de Belo Horizonte. Ouvimos isso de profissionais de Rio e São Paulo”, salienta Maria Elisa. A escola verde e branca recebeu 27 candidaturas, mas apenas seis enviaram o samba gravado.

A Canto da Alvorada  bateu o martelo sobre a homenagem no ano passado, após ganhar o Carnaval com enredo dedicado ao estilista Ronaldo Fraga. “Fizemos uma grande festa no Iate Tênis Club e lá estavam alguns ex-bailarinos do Palácio que participaram da comissão de frente. Um deles nos sugeriu a ideia e passamos a pensar nela”.

Depois de reuniões com a presidente da Fundação, Eliane Parreiras, e com o secretário de Cultura e Turismo do Estado, Leônidas Oliveira, ficou tudo acertado para 2021, ano do cinquentenário da instituição. Com o recrudescimento da pandemia, porém, a festa de rei Momo foi cancelada, adiando a comemoração para 2022.

Durante o lançamento no Grande Teatro, o público já terá um aperitivo do desfile, com a apresentação de 21 modelos de fantasias. “Lógico que não mostraremos tudo, com partes importantes sendo mantidas em segredo. Nossa ideia é contar toda a história, desde o momento em que a classe artística procurou (o prefeito) Juscelino Kubitschek para fazer um grande teatro”, adianta.

Maria Elisa ressalta que a história do Palácio é rica e extensa e não será possível ser tão detalhista na avenida. “Se fôssemos contar tudo, precisaríamos de três ou quatro escolas de samba do Rio”, diverte-se. Parte dessa trajetória, aliás, já foi contada em outros Carnavais. Em 2005, as óperas foram o grande tema da Canto da Alvorada.