A escritora carioca Sandra Lopes confessa que sempre ficou encantada pela história do escravo africano Chico Rei. “Acho fascinante o jeito que ele arrumou de conquistar a liberdade. A história dele é linda, linda”, enfatiza a autora de “Cordel do Chico Rei” (Zit Editora), título que acaba de sair do forno e será lançado, no Rio de Janeiro, no dia 20 de dezembro.

Aprisionado junto com seu povo, Galanga, o Rei do Congo, mais tarde Chico Rei (como o chamavam seus conterrâneos) é trazido para o Brasil em um navio negreiro, para trabalhar em uma mina de ouro na antiga Vila Rica (hoje Ouro Preto).
 
Mito

Com estratégia e artimanha, o escravo forja um plano para alcançar o seu sonho dourado: libertar todo seu povo! Chico Rei teve a ideia de recolher o pó de ouro que ficava preso nos cabelos dos escravos para vender e conseguir as alforrias. Sem precisar de luta armada, ele mostrou que um verdadeiro rei nunca perde sua majestade e abandona os conterrâneos.

Pouco explorada no Brasil, a história de Chico Rei é recontada por Sandra através da literatura de cordel. “Muita gente não conhece a história de Chico Rei, mesmo sendo explorada por Francisco Mignone na ópera ‘O Maracatu do Chico Rei’; por Cecília Meireles em ‘Romanceiro da Inconfidência’; por Sylvia Orthof também em ‘O Rei Preto de Ouro Preto’. Ah, por Castro Alves em ‘Navio Negreiro’”.

Logo no prefácio do livro, a autora define a literatura de cordel e não esconde a sua empatia com o estilo. “Cordel é um modo muito popular de fazer poesia aqui no Brasil... é preciso rimar e, ao mesmo tempo, seguir algumas regras”.

Ela compara a escrita de um cordel ao toque de piano. “Pois é batendo os dedos sobre o ‘teclado’ (mesa) que faço a contagem das sílabas e, ao mesmo tempo, sinto a musicalidade e o ritmo.

Os versos do livro se uniram às pinturas de colorido vibrante de Luciana Grether Carvalho, que já ilustrou outros dois livros de Sandra: “Cordel da Candelária” e “Cordel das Cavalhadas”.

Visita à mina

“’Cordel do Chico Rei’ tem um ar naïf, com pontilhismo e pinturas da Luciana (Grether Carvalho). As vinhetas (ilustrações laterais) são muito lindas. A letra é dourada e o projeto gráfico é da designer Suiá Taulois”.

A autora, que nutre um carinho por Minas Gerais (talvez advindo da memória afetiva de quando passava férias com os avós em Caxambu), falava para si mesma que só terminaria de escrever o livro quando entrasse na mina de Chico Rei. “Acabou que não fui a Ouro Preto e não vi a Mina de Chico Rei, mas a história tomou conta mesmo de mim”.

Outro lançamento

Curiosamente, os livros escritos por Sandra em forma de cordéis começam com “C”. “Convite Carioca”, “Cantiga de trem” e Cordel das Cavalhadas” foram selecionados pela Fundação Nacional do Livro Infantil para representar o Brasil na Feira do Livro Infantil de Bolonha (Espanha). Junto com “Cordel do Chico Rei”, ela lança “Cordel dos Atletas – O Espírito Olímpico”, também pela editora Zit.