Tudo começou com um palco e o desejo de divulgar a música instrumental brasileira. Dezesseis edições depois, o Savassi Festival tem ainda a apresentação musical como um ponto chave da programação, mas sem deixar de abrir espaço generoso à discussão e ao estímulo da produção em Minas Gerais.
 
“A apresentação tem um lugar central num festival, claro, mas queremos transcender o espetáculo em si. Há um esforço permanente de criar um impacto positivo na cena e na carreira dos músicos”, afirma Bruno Golgher, idealizador do Savassi Festival, com início amanhã em Belo Horizonte e Nova Lima.
 
Prova disso é o lançamento de selo próprio, o Savassi Festival Records. A pianista mineira Luísa Mitre inaugura esse cast, com o disco “Oferenda”, e o primeiro show baseado no CD acontecerá dentro da programação do evento, neste sábado, às 20h, no Conservatório da UFMG.
 
Trata-se do fruto de um trabalho que começou no próprio festival. “O selo é a culminância de um projeto iniciado no ano passado, o Música Nova, que encomenda composições inéditas a artistas”, destaca Golgher, que, com isso, busca fechar um ciclo profissional que vai do estímulo à composição à abertura de espaços de apresentação e à gravação e distribuição de discos.
 
“Se não fosse pelo festival, não teria feito esse disco provavelmente. Nunca tinha escrito um trabalho autoral e a encomenda, no ano passado, foi um pontapé para tudo isso acontecer. Sem esse empurrão, não teria tentado também o BDMG Instrumental deste ano (e vencido em quatro categorias)”, registra Luísa.
 
Um dos destaques do festival é o Jazz Remixed, que convida DJs a criarem e apresentarem sets de músicas explorando a multiplicidade sonora do jazz
 
Para o projeto Música Nova de 2018, foram convidados Duo Desvio e Pedro Durões, Felipe Villas-Boas, Frederico Heliodoro, Juarez Moreira e Louise Wooley. “Em tese, queremos gravar todos, mas temos que levar em conta que, ao encomendar essas composições, existe um elemento imprevisível”, avalia Golgher.
 
Ocupação
Considerado um dos mais importantes festivais de música instrumental do país, o Savassi mostrará, até o dia 12, 40 shows em locais diversos, incluindo espaços alternativos como cafés, bares e shoppings. “Cada artista pede um lugar e a programação parte desta visão estética, buscando os palcos disponíveis para trabalhar”.
 
Um dos desafios do Savassi Festival é atrair o público menos afeito ao estilo. “A música instrumental não é um campo comercial, mas tem o seu público. Ao levar um show para a rua, por exemplo, a gente transcende um pouco, chegando a espectadores que não são apenas aqueles dos clubes de jazz”. Entre várias atividades, como exposições e debates, a programação exibirá o Cabaret do Festival, uma apresentação musical que homenageará a icônica cantora francesa Edith Piaf.
 
A programação completa poderá ser conferida no site savassifestival.com.br